POLÍCIA
Sábado, 06 de Março de 2010, 13h:35
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PLEITO 2010
Dez mil votos de presos provisórios em MT
TSE decidi que urnas poderão ser instaladas em unidades de custódia temporária e polícia teme sobre aliciamento com propostas indecorosas
ADILSON ROSA
Da Reportagem
A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de colocar urnas nos presídios para que os detentos provisórios votem nos pleitos deste ano começa a agitar os candidatos. Se as eleições fossem hoje, Mato Grosso disponibilizaria mais de 10 mil votos entre provisórios masculinos (5.049) e femininos (5.028), suficientes para engordar o coeficiente de qualquer coligação. Como fazer campanha eleitoral para conseguir os votos de quem está atrás das grades passa a ser uma novidade para os candidatos, uma vez que, segundo a Superintendência do Sistema Prisional de Mato Grosso, nas eleições passadas, somente a Cadeia Pública de Lucas do Rio Verde teve uma urna especial. No entendimento de policiais civis e militares, quem lucraria mesmo seriam traficantes e líderes de alas dos presídios que enxergam mais uma oportunidade de demonstração de poder, pois passam a cooptar os votos dos detentos provisórios com uma série de promessas incluindo também a distribuição de drogas. Pelas contas da polícia, são no máximo seis líderes que agem dentro dos presídios com condições de aliciar os detentos. Muitos candidatos vão até a cadeia para buscar votos e vão conhecer como se consegue votos de presos, disse um policial. Segundo um policial do Serviço de Inteligência da Polícia Militar, um famoso traficante do Jardim Liberdade, colocado em liberdade recentemente, foi cabo eleitoral, em seu bairro, de um deputado estadual. O policial explicou que não é segredo para ninguém do bairro que o traficante fez campanha para o deputado e poderá repetir o feito nessas eleições. Quem dá as cartas entre os presos, com certeza vai estender os tentáculos junto às famílias dos presos. Se em situação normal, eles já extorquem, imagina com uma chance dessas, lembrou um policial da Delegacia do Complexo do Planalto, cuja Cadeia Pública do Carumbé fica próxima. Para agentes prisionais, promessas simples, como tirar o filho da cadeia em poucos dias ou contratar advogados, serão comuns neste período eleitoral. Os agentes prisionais também esperam lobbys junto a eles por parte dos próprios chefes de alas. Vai ter candidato que mandará um assessor fazer muitas promessas para famílias que têm algum parente preso. São promessas de como ter acesso a processos, sem falar de promessas de melhorar as condições nas cadeias, como acomodação, visitas, ou até de amaciar a sentença, observou um policial.