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Cuiabá MT, Sexta-feira, 12 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 31 de Julho de 2010, 12h:02

PASSIONAIS

Dez condenações de autores em apenas um mês na Capital

Dos 28 julgamentos ocorridos no mês passado pelo Tribunal do Júri da comarca de Cuiabá, 10 vítimas eram mulheres, sendo oito assassinadas e duas sofreram tentativas em crimes passionais (motivados por paixão). As penas, em média, foram de 12 anos para os homens que executaram suas companheiras ou ex-companheiras. Suas defesas não conseguiram argumento suficiente para inocentá-los. “Não havia justificativa para o assassinato. Durante os julgamentos, ficou claro que os homicídios ocorreram por motivo torpe. Situações em que poderia haver outra solução e não a morte”, argumentou o promotor criminal João Augusto Gadelha, que participou da maioria dos julgamentos. Gadelha acrescentou que as mulheres que compõem o Tribunal do Júri não influenciam tanto. “Por ser um crime contra a mulher era de se esperar que se colocassem no lugar dela, isso não acontece. Elas procuram saber os motivos que levaram o réu a praticar o crime”, destacou. Em relação aos homens, o representante do Ministério Público Estadual (MPE) salientou que a mentalidade masculina não é mais retrógrada ao ponto de defender a chamada defesa da honra. “Isso nem é mais atenuante”, frisou. As penas aplicadas foram altas, levando em conta que o Tribunal do Júri define apenas se o réu é culpado ou inocente. Em seguida, a juíza da 1ª Vara Criminal da Capital, Mônica Catarina Perry de Siqueira, aplica a pena considerando as qualificadoras. No primeiro julgamento do mês, Marçal Rei de Hungria foi condenado a 13 anos pelo assassinato da esposa, Joventina Farias Hungria, ocorrido há três anos em Cuiabá. Divino Rios Brito foi sentenciado a 12 anos pelo assassinato da esposa, Janete Janoski Carvalho, morta com 18 facadas, há 11 anos, no bairro São Gonçalo, em Cuiabá. Ele também é réu solto e aguarda recurso em liberdade. Outro crime também considerado hediondo e sem justificativa foi a execução da sindicalista Rosair Schimit Camargo. O ex-namorado dela, Ed Ames Orleu de Oliveira Santos, foi condenado a 21 anos de prisão e não poderá esperar o recurso solto, pois era foragido e está com a prisão preventiva decretada. O julgamento de maior repercussão, no entanto, foi do engenheiro Eraldo da Costa Carvalho, que pegou 36 anos de prisão pelo estupro e assassinato da menina Elisângela Maria Geraldino, um crime que completou 20 anos. Esse foi o único julgamento à revelia, uma vez que o engenheiro estava desaparecido desde a época do crime. Uma semana depois do júri, ele foi localizado na cidade de Juiz de Fora (MG) pelo Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público. O advogado de Eraldo recorreu da decisão, mas ele deverá aguardar o recurso preso. (AR)

Edição EDIÇÃO 16961




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