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Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

POLÍCIA
Domingo, 30 de Agosto de 2009, 01h:08

Delegados têm acusações semelhantes às de agentes

Os indícios de envolvimento de servidores da Polícia Civil em crimes não se limitam a agentes e investigadores. Delegados da corporação também figuram entre réus. A prisão mais recente foi a do delegado Delson Lopes, na sexta-feira. Ele é acusado de peculato e desvio de função na Delegacia de Nova Mutum, pelo Ministério Público Estadual. O delegado e dois policiais civis teriam se apropriado de bens de um homem que estava sob custódia da corporação. Hoje, em pleno exercício funcional, as autoridades policiais Helena Yloise de Miranda e Anaíde Barros também ficaram conhecidos pelas suspeitas de participação em ações criminosas que as levaram à prisão. Helena Yloise Lourenço responde atualmente pela Delegacia de Nova Canaã. Em outubro de 2007, ela foi presa durante a Operação Arrego, acusada de ligação com o jogo do bicho, comandado, à época, por João Arcanjo Ribeiro de dentro da unidade prisional. A delegada foi denunciada pelo Ministério Público Federal (MPF) por agir para atrapalhar a concorrência de Arcanjo. Helena respondia pela delegacia de Cláudia (a 608 quilômetros da Capital). Fato semelhante aconteceu com a delegada Anaíde Barros. Promovida para a Capital, hoje ela exerce a função pública na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) em Cuiabá, mas, em outubro de 2006, em uma inversão de papéis, passou de autoridade à acusada. Ela foi presa em Rondonópolis, na Operação Overlord, ação desencadeada pela Polícia Federal que levou à detenção de policiais, advogados, um juiz e traficantes de drogas. Interceptações telefônicas revelaram que advogados intermediavam negociações entre seis traficantes da região e Anaíde que, com auxílio de policiais, supostamente alertava os bandidos sobre as ações da polícia, evitando prisões em flagrante, de acordo com o Ministério Público. Em primeira instância os réus conseguiram o arquivamento do processo, mas o MPE recorreu ao Tribunal de Justiça, que determinou a retomada da ação penal. Agora o recurso está em trâmite no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Além dos processos criminais, Anaíde já figurou também em processos administrativos, um deles, com parecer de demissão. Este ano está em tramitação contra ela e policiais de sua equipe, um processo administrativo disciplinar por tortura, na Corregedoria da Polícia Civil. O grupo é acusado de manter preso no porta-malas de um carro, das 6 horas até o início da noite, Neurivaldo Branco, com mais de 50 anos de idade. A polícia queria descobrir aonde ele guardava cigarros em seu bar, trazidos do Paraguai. No processo administrativo instaurado durante a Operação Overlord, a Corregedoria opinou pela demissão de Anaíde. Ela recorreu ao Conselho Superior de Polícia, que abrandou a pena para 90 dias de suspensão. Contudo, o processo voltou para o secretário de Justiça e Segurança Pública, que manteve a demissão. Porém, o ato cabe exclusivamente ao governador do Estado, que dá a decisão final. A delegada foi procurada pela reportagem, mas não quis se manifestar. O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia, Dirceu Vicente Lino, disse que não gostaria de colaborar com a matéria, que traz à tona casos nos quais ainda não há sentenças judiciais contra colegas. (KR)

Edição EDIÇÃO 16968




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