POLÍCIA
Sábado, 22 de Dezembro de 2007, 14h:06
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VIOLÊNCIA EM CASA
Cerca de 150 pais são agredidos ao ano
Uma cena cada vez mais comum na Delegacia Especializada do Adolescente (DEA): pais registrando queixa de agressão provocada pelos próprios filhos. Por semana, são três casos em média de pessoas principalmente mãe que procuram a delegacia exigindo uma atitude ou orientação por parte dos policiais. Por ano, são mais de 150 pais agredidos. Em alguns casos, as lesões são tão visíveis que obrigam as vítimas a procurar o hospital. Segundo policiais da DEA, a maior parte das vítimas é formada por pais de adolescentes usuários de drogas que exigem dinheiro para sustentar o vício. Como a resposta é negativa, acabam partindo para a pancadaria. Segundo o chefe de operações da DEA, policial civil Wlademire Lima Barros, não existe viciado que não seja violento, principalmente quando sai da fase do uso da maconha e parte para a pasta-base de cocaína e outras drogas mais fortes. O perfil do adolescente agressor de pais é de classe baixa, morador em bairro longe do centro e pais que ficam o dia todo fora de casa. No caso de adolescentes de classe média, o pai, a irmã, a avó dão dinheiro para sustentar o vício. Em alguns casos, os usuários revendem a droga e ainda sobra dinheiro. Por isso, raramente fica sem dinheiro, explicou. Mas esses problemas também atingem as camadas mais abastadas. São casos atendidos em outras delegacias e raramente chegam até a DEA. Nos pedidos que chegam à polícia, a providência que os pais querem é a internação do filho numa clínica para dependentes químicos. E quando os pais chegam a esse estágio, é porque praticamente perderam o controle. A internação só acontece se o adolescente quiser. Vai depender dele porque as clínicas mantidas pelo sistema de saúde não possuem vigilância, explica o delegado Adalberto Antônio de Oliveira, da DEA. Os casos que chegam até a Delegacia são preocupantes. Uma dona de casa, de 36 anos, moradora no bairro Novo Horizonte, chegou reclamando que a filha de 16 anos a expulsou de casa. Há seis meses, a filha, que é viciada, virou traficante e tornou-se mais violenta com os pais. Uma das providências que a mãe quer é a internação da filha. A mãe nos relatou que ela a filha sempre tiveram desavenças, mas ultimamente o atrito aumentou, explicou o delegado. O caso da adolescente não é diferente das demais queixas de agressões. Os pais alegam que só percebem a mudança de comportamento após os filhos saírem com novas amizades. Essa transformação para pior ocorre quando o vício está avançado, pois perdem o controle e acabam agredidos. Os pais precisam ficar atentos em alguns quesitos básicos como novas amizades e o filho chegar tarde em casa, completou o chefe de operações. (AR)