NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Terça-feira, 23 de Junho de 2026

POLÍCIA
Sábado, 22 de Março de 2008, 14h:07

FALTA JUIZ

Cem casos de crimes contra vida parados

Contingente diz respeito à 12ª Vara Criminal de Cuiabá, que não tem juiz para dar seqüência às audiências, algumas remarcadas por até cinco vezes

ADILSON ROSA
Da Reportagem
Mais de 100 processos de crimes contra a vida – principalmente homicídios – estão parados na 12ª Vara Criminal da Capital por falta de juiz. São processos de réus soltos e presos, nos quais as audiências – de interrogatório, de acusação e defesa - não acontecem porque não existe juiz disponível. As audiências estão sendo remarcadas, algumas até cinco vezes. Segundo a assessoria do Tribunal de Justiça (TJ), a situação só irá se normalizar em julho. Como conseqüência, os advogados de defesa – incluindo a Defensoria Pública – podem entrar com pedido de relaxamento de prisão dos réus, pois não estará sendo cumprido o período de 81 dias de instrução processual. Com isso, teme-se que homicidas – incluindo alguns pistoleiros - sejam colocados na rua. Tudo ocorreu porque a titular, a juíza Maria Aparecida Ferreira Fago, está licenciada para ocupar o cargo de diretora do Fórum Criminal. A substituta nomeada, juíza Mônica Catarina Peri de Siqueira, é a titular da 1ª Vara Criminal e não disponibiliza de tempo porque tem julgamento todos os dias pelo Tribunal do Júri. “Como existe julgamento todo dia, não tem audiência. São poucos os júris cancelados ou adiados”, queixa-se o promotor criminal João Augusto Gadelha, responsável pela 12ª Vara Criminal. A situação se agravará a partir do dia 4 de abril, os processos da 13ª Vara irão todos para a 12ª, pois se transformará em vara de efeitos gerais – atenderá todos os tipos de crime, conforme adequação jurídica proposta pelo TJ. Segundo assessores da titular da 1ª Vara, ocorrem algumas audiências nos intervalos dos julgamentos. Mas o tempo disponível é pequeno, comparado ao total de processos. “Sei que o pessoal da 12ª Vara está ligando para as testemunhas desmarcando as audiências. Quando conseguem localizar a pessoa, ótimo. Quando não conseguem, a reclamação é geral”, informa um advogado criminalista cujo processo está parado por falta de audiência. Na semana passada, a mãe de um jovem assassinado no ano passado esteve procurando informações sobre a audiência de interrogatório – o caso está esclarecido há mais de quatro meses pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), mas está parado. Quem chega à escrivania é orientado a procurar o Ministério Público Estadual (MPE). O temor do representante do MPE é que além dos réus presos serem soltos, atrasem-se mais ainda os processos de réus soltos. “Como a prioridade é o réu preso, o solto, então, não tem nem previsão das audiências. E isso porque se trata de crime contra a vida. Imagina, então, se não fosse”, completa o promotor. O TJ acredita que, a partir de julho, com a readequação judiciária – fechamento de algumas varas e outras transformadas em efeitos gerais – haverá magistrados para pode assumir a 12ª Vara Criminal da Capital. Até lá, os processos continuarão praticamente parados.

Edição EDIÇÃO 16968




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL