POLÍCIA
Sábado, 16 de Agosto de 2008, 14h:52
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PORTUGAL
Assaltante morto em Lisboa era de Cuiabá
Nilson de Souza, pedreiro, 35 anos, morou no Jardim Araçá e estava em Lisboa contratado por uma empresa de construção, quando tentou roubar banco
ADILSON ROSA
Da Reportagem
O assaltante que morreu em Portugal durante um roubo a banco, há cerca de dez dias, era de Cuiabá, mais precisamente morador do bairro Jardim Araçá. Antes de tentar a sorte em Lisboa, Nilson Ferreira de Souza, de 35 anos, trabalhou como motorista de ônibus e pedreiro. Até o dia do assalto, em Portugal, o que se tem notícia era de que ele trabalhava em uma construtora de Lisboa. A comunidade cuiabana na capital portuguesa é de 120 pessoas aproximadamente, segundo fontes ouvidas pela reportagem. Nilson agiu em companhia de Welington Rodrigues Nazaré, de 23, preso em flagrante pela polícia portuguesa. Também ferido à bala, Welington está internado num hospital daquele país e será indiciado por roubo. Nilson não teve a mesma sorte. Como estava trabalhando com visto irregular, amigos disseram que os familiares têm direito a uma indenização milionária, pois a lei portuguesa pune severamente as empresas que contratam empregados não autorizados. Em Cuiabá, não tinha mais familiares e quem estava providenciando a liberação do corpo era o irmão Gilson Ferreira, que já estavam em Portugal. O pedido de liberação do corpo foi feito pela cunhada. O irmão poderá solicitar também a indenização junto às autoridades portuguesas. Com seis meses de trabalho, Nilson já teria acumulado cerca de 10 mil euros, guardados no quarto da casa que dividia com outros brasileiros. Por isso, ninguém entendeu o motivo do pedreiro ter participado do assalto, uma vez que o trabalho pesado estava sendo lucrativo. O pior de tudo é que a agência bancária não tinha dinheiro. É para fazer transações on-line (pela internet). Foi uma grande burrada deles. Ninguém sabe o motivo dele (Nilson) e do outro terem tentado assaltar o banco, logo em outro país, explicou um morador da comunidade cuiabana em Lisboa, em entrevista pelo Messenger (mensagens instantâneas pela internet). Familiares de Welington disseram o mesmo. O assalto à agência do Banco Espírito Santo, no bairro de Campolide, em Lisboa, ocorreu na quinta-feira, por volta das 15 horas locais (9 horas em Cuiabá) e terminou cerca de meia-hora depois com uma morte e uma prisão. Ao invadir a agência, os dois brasileiros renderam os funcionários, mas as vítimas conseguiram acionar a polícia, que cercou o local. Pensando estar no Brasil, os dois fizeram reféns os seis funcionários. Por volta das 15h30, os atiradores da polícia portuguesa dispararam contra os dois assaltantes brasileiros, matando Nilson e ferindo Welington. A operação envolveu cerca de cem policiais. O assalto chocou a comunidade cuiabana em Lisboa, pois todos foram pegos de surpresa. Quem vem para a Europa, no caso Portugal e Espanha, vem para trabalhar. Ficamos sabendo através de vizinhos e da televisão, disse o morador da comunidade cuiabana. Welington também não tinha antecedente. Vindo do interior de Minas Gerais, ele trabalhava numa pensão em Lisboa e estava há dois meses desempregado. A irmã dele, em entrevista a jornais portugueses, disse que ele não tem perfil criminoso e alegou desconhecer os motivos que o levaram à empreitada.