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POLÍCIA
Sábado, 17 de Novembro de 2012, 13h:43

FAZENDA SÃO JOÃO

Areia no pulmão indica afogamento à força

ADILSON ROSA
Da Reportagem
O laudo de necropsia do pedreiro João Gonçalo de Campos, de 53 anos, aponta que ele foi assassinado num dos tanques da Fazenda São João, pertencente ao bicheiro João Arcanjo Ribeiro e arrendada para um grupo que industrializa peixes. Foi encontrada uma grande quantidade de areia nos pulmões, segundo policiais da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), indicando que ele tenha sido jogado e seguro na água do tanque, que tem pouco mais de 30 centímetros de profundidade. O corpo do pedreiro foi localizado anteontem de manhã após desaparecer na quarta-feira à noite no mesmo local. Segundo o delegado João Bosco de Barros, responsável pelas investigações, o laudo indica que o pedreiro foi afogado e não se afogou, uma vez que a areia aparece quando alguém é seguro dentro d’água num rio ou lagoa, sendo afogado à força. “Não havia sinais de tiros, e nem precisava. Temos as provas cabais de que se trata de um assassinato. A próxima etapa é localizar os autores”, frisou. Na quarta-feira à noite, o pedreiro mais o irmão Jucinei e o amigo Santana foram pescar de vara num dos tanques da fazenda quando, por volta das 20 horas, foram cercados por dois supostos seguranças armados com escopetas que chegaram numa motocicleta vermelha. Eles apontaram as armas para os três pescadores e ainda deram dois tiros que passaram próximo das vítimas. Segundo o irmão de João Gonçalo, ele e Santana ficaram parados, mas a vítima correu em direção ao mato e os criminosos foram atrás. “Então a gente correu para o outro lado. Não demorou muito e ouvimos mais dois tiros”, relatou Jucinei. Os três são moradores no Jardim Glória II, em Várzea Grande. Na quinta-feira, Jucinei e outros dois irmãos foram até a fazenda em busca de notícias do irmão, mas não obtiveram resposta. “Ainda conversei com o gerente e ninguém me disse nada. Voltamos no mesmo local e nada”, relatou. O gerente dos tanques de peixe da empresa que fez arrendamento informou que não possui seguranças. “Nossos tanques são terceirizados, arrendados da fazenda, que é imensa e tem criação de gado feita por outras pessoas”, justificou-se. Ele lembrou que ao ver o cadáver boiando acionou a Polícia. O delegado, no entanto, acredita que a fazenda tenha seguranças como ocorreu em março de 2004, quando pessoas que estavam pescando também foram executadas a tiros. No dia 21 de março daquele ano, quatro rapazes foram assassinados por seguranças da propriedade também porque haviam ido pescar no local. Oito pessoas foram denunciadas pelo crime e somente dois foram julgados e tiveram pena mínima.

Edição EDIÇÃO 16962




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