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POLÍCIA
Segunda-feira, 09 de Março de 2009, 19h:17

40% das vítimas não denunciam

Em 18 meses - de maio de 2007 a novembro de 2008 - o Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (CMDM) registrou 811 casos dos mais diversos tipos de violência. Conforme o estudo, cerca de 40% das vítimas, ou seja, cerca de 500 mulheres deixaram de denunciar o agressor durante esse período. Desse total, apenas 21 foram presos em flagrante. O relatório do conselho aponta que 114 homens tiveram prisões decretadas, mas não foram presos porque escaparam do flagrante. Em 501 casos foram aplicadas medidas protetivas que variam desde o desarmamento dos agressores até o afastamento da convivência familiar com a vítima. A maioria dos agressores está na faixa de 24 a 45 anos e as vítimas de 24 a 32 anos. A droga, o alcoolismo, a desestrutura familiar e o desemprego são apontados como os principais fatores das violências. O nível de escolaridade, tanto do agressor quanto da vítima, conforme o levantamento é de ensino fundamental. As vítimas se encorajaram para denunciar após a implantação da Lei Maria da Penha de 8 de agosto de 2006. Em Cáceres, os registros das denúncias começaram em maio de 2007, quando a lei ganhou visibilidade através de uma comissão criada para a sua efetivação no município. Os levantamentos preliminares confirmam que as mulheres evitavam formular denúncias antes da existência da lei porque também na delegacia, onde eram atendidas por homens, sofriam humilhações. Agora, depois da sanção da lei Maria da Penha, elas têm atendimento especializado, numa delegacia própria para isso. Os tipos de violências são diversos, conforme o relatório do CMDM, com predominância da violência física caracterizada pelos espancamentos, violência psicológica e até sexual. A violência física ainda é a mais freqüente. Contudo, também está se tornando comum algumas mulheres denunciarem que estão sofrendo violência sexual (estupro) pelos próprios companheiros. Mas também é verdade que muitas delas deixam de levar a denúncia adiante por dependência financeira do agressor, ou ainda porque gostam do companheiro. Outro dado que chama a atenção no relatório é que muitos registros são de mulheres esposas de policiais civis, do Exército, Gefron e policiais militares. Esse elevado índice de violência praticado por pessoas ligadas a órgãos de segurança pública, pessoas que trabalhavam ou trabalham com a violência e que, geralmente, acabam levando para a família o ambiente de trabalho. (CND)

Edição EDIÇÃO 16965




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