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MUNDO
Quinta-feira, 28 de Abril de 2011, 21h:39

CASAMENTO DO SÉCULO

William e Kate se casam hoje em Londres

Eles vão se casar na Abadia de Westminster, em cerimônia para 1.900 pessoas. Desde o pedido de casamento no dia 16 de novembro, muito foi dito e especulado

FERNANDO DUARTE
Da Agência O Globo - Londres
Acontece hoje, em Londres, o casamento do príncipe William com a plebéia Kate Middleton. Eles vão se casar na Abadia de Westminster, em cerimônia para 1.900 pessoas. Desde o pedido de casamento no dia 16 de novembro, muito foi dito e especulado. Ao longo do caminho, que tem aproximadamente dois quilômetros de extensão, a polícia montou o esquema de segurança do local há dias e, em alguns trechos, o público ficará a até dois metros e meio de distância das avenidas. Mesmo assim, centenas de pessoas não desanimaram e decidiram passar a noite na calçada para ver a passagem da rainha e dos noivos por alguns segundos. O enlace matrimonial mais aguardado e midiatizado deste século promete ser uma brisa refrescante no que diz respeito às percepções da monarquia por súditos e admiradores. E não se trata apenas da beleza e da simplicidade dos noivos. A aceitação da origem plebeia de Kate desponta como um exemplo, vindo de cima, de que a obsessão dos britânicos com a noção de classes parece se diluir. Além da curiosidade pública, canalizada por uma mídia muito mais invasiva e com infinitas possibilidades na multimídia — o que na época do casal Charles e Diana não havia —, existe a obrigação de continuidade da dinastia. Se Diana, aos 19 anos, já enfrentou pressões para engravidar, o que esperar de Kate e seus 29 anos? Os Middleton há muito vivem em situação muito melhor que seus antepassados trabalhando em minas de carvão graças ao sucesso dos pais de Kate, Carole e Michael, que trocaram os empregos de aeromoça e despachante da British Airways por uma empresa de material para festas infantis que os enriqueceu. O que ninguém esperava é que a ausência de berço da filha, porém, acabasse virando virtude em vez de embaraço. “No Reino Unido, a mobilidade social está estagnada desde a Segunda Guerra Mundial e a maioria das pessoas ainda vai seguir a classe de seus pais. O caso de Kate é raro, mas uma princesa de origens não muito diferentes de muitos britânicos é um passo gigantesco para fazer crescer a admiração pela monarquia”, argumenta Dominic Sandbrook, historiador especializado no Reino Unido do pós-guerra. A pressão sobre o casal envolve ainda a expectativa de um desfecho mais feliz do que a maioria das uniões dos Windsor no século XX. Dos quatro filhas da rainha Elizabeth II, apenas o príncipe Edward, o caçula, ainda está casado. Tal histórico levou William a pedir uma moratória de dois anos para Kate em termos de uma agenda integral como princesa para que sua adaptação ao cotidiano da realeza seja gradual. Diante do triste fim do casamento de seus pais, o príncipe se inspira na avó: em 1947, quando ainda era princesa, Elizabeth II morou por anos em Malta, onde estava lotado como oficial da Marinha o seu marido, o príncipe Philip. Também como a avó, William passará mais tempo longe de Londres, apesar de em território nacional, na ilha de Anglesey, no País de Gales, nas proximidades da base onde o príncipe serve como piloto de helicóptero de resgate.

Edição EDIÇÃO 16960




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