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MUNDO
Terça-feira, 16 de Novembro de 2010, 20h:28

IRÃ

Viúva pede perdão e admite pecado

A TV estatal iraniana PressTV exibiu anteontem uma reportagem com uma mulher identificada como Sakineh Ashtiani, de 43 anos, que foi condenada à morte por adultério e homicídio – na qual ela disse ter “pecado” e sido enganada por advogados. No vídeo, a mulher afirmou que o primo do marido a convenceu a matar o cônjuge com a promessa de que ela teria uma “vida livre”. As informações são da BBC Brasil. A reportagem acusa a ativista Mina Ahadi, principal integrante do Comitê Internacional contra Apedrejamento (órgão que luta pela libertação de Sakineh), de tentar obter vantagens pessoais com o caso – Ahadi é militante de um grupo comunista opositor ao governo iraniano. Depois de exibir as imagens de Ahadi, a mulher identificada como Sakineh reaparece no vídeo e afirma que: “Senhora Mina Ahadi, isso não é da sua conta. Eu cometi um pecado.” Mãe de dois filhos, Sakineh foi condenada à morte em 2006 por apedrejamento. Mas, no fim de setembro deste ano, o procurador-geral do país, Gholam-Hossein Mohseni-Ejei, sinalizou que a sentença se converteria em enforcamento e não mais apedrejamento. O caso de Sakineh ganhou repercussão internacional em julho e rendeu críticas severas ao governo do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, por violação dos direitos humanos. A Suprema Corte do Irã está analisando o caso. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelou para a suspensão da pena e ofereceu a Sakineh estada no Brasil. Em agosto, a TV estatal iraniana exibiu o que dizia ser uma confissão de Sakineh. Durante a transmissão, a mulher identificada como a iraniana dizia ter conspirado para matar o marido e acusava o advogado Mohammed Mostafai – que deixou o Irã com a família afirmando que estavam sob ameaças – de interferir indevidamente em seu caso. Imagens distorcidas identificadas como sendo de Sajjad Qaderzadeh, um dos filhos de Sakineh, também são mostradas. Nelas, ele diz que Ahadi o apresentou a Mohamad Mostafai, o primeiro advogado de Sakineh. “Mostafai não teve um papel positivo. Primeiro, ele tornou a questão internacional e deixou todos a par dela. Nossos parentes não sabiam do caso e agora sabem. Na minha opinião, perdemos o respeito por causa de Mostafai. Ele fugiu e buscou asilo político”, disse o jovem.

Edição EDIÇÃO 16967




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