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MUNDO
Terça-feira, 01 de Julho de 2014, 20h:02

CONFLITO

Violência no Sudão do Sul destruiu vários hospitais

A violência contra hospitais e a destruição de instalações médicas estão dificultando o acesso a serviços de saúde para muitas pessoas vulneráveis do Sudão do Sul, segundo a ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF). Desde o início do conflito armado Sudão do Sul, em dezembro de 2013, pelo menos 58 pessoas foram mortas dentro de áreas hospitalares e hospitais foram saqueados ou queimados em pelo menos seis ocasiões, segundo o relatório. Estes número incluem apenas as áreas nas quais o MSF atuam ou realizam análises médicas. "O conflito tem presenciado às vezes níveis terríveis de violência, inclusive contra instalações de saúde", disse Raphael Gorgeu, chefe da missão do MSF. "Os pacientes foram baleados em suas camas, e instalações médicas que salvam vidas foram queimadas e destruídos. Estes ataques têm consequências de longo alcance para centenas de milhares de pessoas que não tem acesso a serviços médicos". Hospitais foram atacados nas cidades de Bor, Malakal, Bentiu, Nasir e Leer durante os combates. O hospital do MSF em Leer foi destruído durante o ataque à cidade no final de janeiro e início de fevereiro. O hospital era a única instalação de saúde - em uma área com cerca de 270 mil pessoas - apta a realizar cirurgias e tratamento para HIV e tuberculose. Prédios inteiros foram reduzidos a cinzas e equipamentos necessários para cirurgias, armazenamento de vacinas, transfusões de sangue e trabalho de laboratório foram destruídos. Em maio, a MSF retomou algumas atividades com as pessoas que começaram a retornar a Leer. No entanto, a organização é incapaz de restabelecer a oferta de serviços como vacinação de rotina e cirurgias de emergência. "Infelizmente, por causa da crise, perdemos o controle de muitos de nossos pacientes, alguns dos quais podem ter morrido se não tiveram acesso ao tratamento que realizavam", disse Muhammed Shoaib, coordenador médico de MSF. "Agora, voltamos e tratar alguns pacientes, mas só pode oferecer uma parte de nossos serviços anteriores". PACIENTES MORTOS No Hospital Estadual de Bor, 14 pacientes e um funcionário do Ministério da Saúde foram mortos em dezembro. Outras 14 pessoas, incluindo onze pacientes baleados em suas camas, foram mortos no Hospital Universitário de Malakal, em fevereiro. O MSF tem condenado repetidamente tais incidentes, que têm afetado sua capacidade de fornecer assistência humanitária e pede que todas as partes envolvidas no conflito garantam acesso das pessoas aos cuidados médicos sem medo da violência. O relatório faz parte do projeto Assistência Médica Sob Fogo do MSF, que foi lançado no Sudão do Sul em novembro de 2013. A iniciativa faz parte de um projeto global que visa a compreender melhor a natureza da violência contra profissionais de saúde em zonas de conflito, para melhorar a segurança dos pacientes e funcionários.

Edição EDIÇÃO 16960




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