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MUNDO
Segunda-feira, 02 de Janeiro de 2006, 20h:52

IRAQUE/CONFLITO

Violência derruba venda de petróleo

As exportações de petróleo iraquianas atingiram seu nível mais baixo desde a retomada da produção após o início da guerra, iniciada em março de 2003, de acordo com dados publicados ontem, num momento em que há ameaça de falta de combustível no país e líderes políticos têm dificuldades em formar o novo governo. O Iraque exportou 1,1 milhão de barris de petróleo por dia - o menor volume desde a retomada da venda ao exterior, em meados de 2003, e cerca de metade da média registrada durante o regime do ex-ditador Saddam Hussein. O pico após a invasão americana ocorreu no início do ano passado, com cerca de 1,8 milhão de barris/dia. Sob Saddam, o Iraque exportava de 1,8 milhão a 2,5 milhões de barris/dia. O governo iraquiano estima que o país poderia vender cerca de 3 milhões de barris/dia se não houvesse o problema de sabotagem. As constantes sabotagens estão danificando refinarias e bloqueando investimentos, deixando o volume das exportações numa fração das metas que o governo diz serem necessárias para que as vastas reservas do país financiem a retomada econômica. A queda na produção coincide com o pedido de demissão do ministro do Petróleo, Ibrahim Bahr, em protesto contra o aumento nos preços de combustível imposto no mês passado como parte de um acordo com o FMI, que exige cortes nos subsídios. A renúncia de Bahr ocorre depois do que provavelmente foi um golpe ministerial, no mês passado, quando ele entrou em licença e foi substituído pelo vice-premiê iraquiano, Ahmad Chalabi. A subida dos preços foi mal recebida pelos iraquianos, que já vêm enfrentando longas filas nos postos de gasolina. ACORDO POLÍTICO O principal grupo político sunita iraquiano fez uma inédita visita ao norte do país para chegar a um acordo geral sobre um governo de coalizão - possivelmente abrindo caminho para uma saída negociada da crise política desatada pelas eleições legislativas de dezembro. A iniciativa, porém, foi criticada por parte das lideranças sunitas, que acusam as eleições de fraudulentas e esperam o resultado de uma análise internacional. Ao menos 16 pessoas, inclusive duas crianças, morreram vítimas de tiros e bombas hoje no país. No incidente mais violento, um suicida jogou seu carro carregado de explosivos contra um ônibus cheio de policiais, matando sete deles e ferindo outros 13. O ataque ocorreu numa estrada entre Baquba, no norte de Bagdá, e a cidade curda de Sulaimaniya. Em Bagdá, atiradores atacaram a comitiva do embaixador turco, mas ninguém se feriu.

Edição EDIÇÃO 16967




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