União Europeia suspende ajuda de US$ 92 milhões a Honduras
A União Europeia anunciou ontem a suspensão de cerca de US$ 92 milhões em ajuda para Honduras em retaliação à deposição do presidente Manuel Zelaya, ocorrida em 28 de junho. "Tendo em vista as circunstâncias, tomei a difícil decisão de suspender toda a ajuda orçamentária", disse a comissária de Relações Internacionais do bloco, Benita Ferrero-Waldner. "Apelo aos dois lados para que evitem qualquer ação ou declaração que possa aumentar ainda mais as tensões e tornar a possibilidade de solução mais difícil." No fim de semana, fracassou uma nova tentativa de superar a crise em Honduras, mediada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias. O governo de facto do país centro-americano continua se recusando a volta de Zelaya ao poder. Arias disse que Honduras estaria a um passo da guerra civil e pediu por novas negociações em 72 horas. Crise - O governo interino atual, liderado por Roberto Micheletti, diz que ele será preso se voltar ao país. Tanto Zelaya como Micheletti pertencem ao mesmo partido, o Liberal. Seu presidente, Carlos Eduardo Reyna, disse que Zelaya pretende voltar a Honduras nesta sexta-feira. Simpatizantes de Zelaya disseram que vão intensificar os protestos por sua volta e que planejam uma greve geral para a quinta-feira e sexta-feira. Nenhum país reconheceu o governo interino de Honduras e tanto os Estados Unidos como a ONU e a OEA afirmaram reconhecer Zelaya como o presidente legítimo do país. Uma tentativa fracassada de regresso de Zelaya a Honduras, a bordo de um avião emprestado pelo presidente venezuelano Hugo Chávez, no dia 5 de julho, deflagrou choques entre soldados e milhares de seus simpatizantes, deixando pelo menos um morto e dezenas de feridos.