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MUNDO
Segunda-feira, 28 de Maio de 2012, 20h:17

SÍRIA

Situação no país continua fora de controle

Governos árabes e ocidentais contrários a Assad culparam o governo sírio pelas mortes em Houla. Damasco atribuiu a ação a "grupos terroristas armados"

Ativistas sírios disseram ontem que as forças do ditador Bashar al Assad mataram pelo menos 41 pessoas, incluindo oito crianças, durante ataques de artilharia nas últimas 24 horas contra a cidade de Hama. O relato, que não pôde ser verificado de forma independente, surge depois de o Conselho de Segurança da ONU ter condenado o massacre de pelo menos 108 civis - muitos deles crianças - na localidade síria de Houla, na sexta-feira, apesar do cessar-fogo em vigor há seis semanas na Síria. O emissário especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, já está em Damasco, capital do país, para negociar uma segunda proposta de cessar-fogo na região. Fontes da oposição disseram que tanques e blindados sírios abriram fogo domingo em vários bairros de Hama, depois de ataques cometidos por rebeldes do ELS (Exército Sírio Livre) contra bloqueios viários e outras posições do governo. Em nota, o Conselho da Liderança da Revolução em Hama disse que "disparos de tanques derrubaram vários edifícios. Seus moradores foram retirados dos escombros". A nota disse que havia cinco mulheres entre os mortos. Os ativistas da oposição disseram que as forças de Assad bombardearam Houla depois de um protesto, e então entraram em confronto com membros da insurgência sunita que tenta derrubar Assad, membro da seita minoritária alauita. Governos árabes e ocidentais contrários a Assad culparam o governo sírio pelas mortes em Houla. Damasco atribuiu a ação a "grupos terroristas armados". Rússia e China, que vetaram duas resoluções do Conselho de Segurança propondo ações mais incisivas contra o regime sírio, condenaram o massacre, mas sem atribuí-lo diretamente às forças de Assad. CHINA "A China se sente profundamente chocada pelo grande número de vítimas civis em Houla, e condena nos mais duros termos as cruéis mortes de cidadãos ordinários, especialmente mulheres e crianças", disse Liu Weimin, porta-voz da chancelaria chinesa. O Conselho de Segurança "condenou nos mais duros termos as mortes, confirmadas por observadores da ONU, de dezenas de homens, mulheres e crianças, e o ferimento de centenas de outros na aldeia (de Houla), perto de Homs, em ataques que envolveram uma série de disparos de artilharia e tanques do governo contra um bairro residencial", disse a declaração da ONU, que não tem o mesmo valor de uma resolução de cumprimento obrigatório. "Tal uso ultrajante da força contra a população civil constitui uma violação da lei internacional aplicável e dos compromissos do governo sírio conforme as Resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas", acrescentou o texto. O enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, desembarcou em Damasco nesta segunda-feira e irá se reunir amanhã com Assad. ANNAN O emissário especial da Organização das Nações Unidas (ONU) e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, já está em Damasco, capital do país. Annan se reuniu ontem com o ministro dos Negócios Estrangeiros sírio, Walid Muallem. Hoje, o emissário pretende se reunir com o presidente sírio, Bashar Al Assad. A ideia é negociar uma segunda proposta de cessar-fogo na região. A visita do emissário da comunidade internacional ocorre no momento em que o governo Assad foi condenado pelo Conselho de Segurança da ONU pelo massacre de 108 pessoas, em Houla, no Centro da Síria. No massacre, morreram 32 crianças e, segundo o conselho, houve disparos à queima-roupa. É a segunda visita de Annan à Síria, em três meses. Em abril, ele negociou um cessar-fogo com Assad. O acordo tem sido violado apesar de um grupo de observadores da ONU estar na Síria. A estimativa da ONU é que mais de 10 mil pessoas tenham morrido em 14 meses de confrontos na região.

Edição EDIÇÃO 16960




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