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MUNDO
Quinta-feira, 15 de Dezembro de 2011, 20h:08

SURPRESA

Rússia propõe resolução contra a Síria

A proposta condena a violência perpetrada "por todas as partes, incluindo o uso desproporcional da força por parte das autoridades sírias"

A Rússia surpreendeu a comunidade internacional ontem apresentando um projeto de resolução ao Conselho de Segurança da ONU condenando a violência na Síria perpetrada por "todas as partes", segundo uma cópia do texto ao qual agências de notícias tiveram acesso. A Rússia, como aliado-chave do presidente sírio, Bashar al Assad, tentou frear a intervenção do Conselho de Segurança na crise síria e, junto à China, vetou uma resolução do conselho proposta pelos países europeus em outubro para condenar os ataques de Assad contra os manifestantes, os quais segundo a ONU deixaram 5.000 mortos. No entanto, a Rússia pediu uma reunião de emergência das 15 nações sobre a Síria para propor uma nova resolução que os diplomatas ocidentais qualificaram como inaceitável, mas que afirmaram ser negociável. A proposta condena a violência perpetrada "por todas as partes, incluindo o uso desproporcional da força por parte das autoridades sírias". Por sua vez, o embaixador da França nas Nações Unidas, Gérard Araud, qualificou o fato como "extraordinário" e comemorou a decisão da Rússia de sair da inação, em um comunicado divulgado pelo site da missão. TORTURA Comandantes do Exército sírio ordenaram aos soldados que interrompessem os protestos contra o ditador Bashar al Assad "por todos os meios necessários", frequentemente dando instruções explícitas para que disparem contra manifestantes, disse a entidade Human Rights Watch ontem. Em um relatório baseado em dezenas de entrevistas com desertores do Exército e da inteligência síria, o grupo citou um soldado das forças especiais que disse que sua brigada recebeu a ordem de "usar quantas balas quisesse" contra os manifestantes na província de Deraa, no sul do país, em abril. ORDENS Um dos franco-atiradores na cidade de Homs disse que seus comandantes ordenaram que uma porcentagem específica de manifestantes deveria morrer. "Para 5.000 manifestantes, por exemplo, o objetivo seria 15 a 20 pessoas", disse ele ao HRW (Human Rigths Watch). De acordo com a ONU, 5.000 pessoas foram mortas na repressão de Assad contra os protestos que começaram em março, inspirados por levantes que derrubaram três líderes árabes.

Edição EDIÇÃO 16961




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