MUNDO
Segunda-feira, 11 de Junho de 2012, 20h:45
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NÚMERO ATERRADOR
Repressão já matou mais de 14 mil pessoas
Só uma ONG contabiliza as mortes de 9.862 civis, 3.470 soldados e 783 desertores. Estados Unidos temem que regime esteja preparando outro massacre na Síria
RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil Brasília
Em 15 meses de conflitos na Síria, pelo menos 14.115 pessoas morreram na região, segundo levantamento da organização não governamental (ONG) Observatório Sírio dos Direitos Humanos. Apenas no sábado, 111 pessoas morreram, entre elas 83 civis e 28 soldados. Os protestos contra o governo do presidente sírio, Bashar Al Assad, começaram em março de 2011. Os manifestantes querem sua renúncia e o fim das violações aos direitos humanos. A ONG contabiliza as mortes de 9.862 civis, 3.470 soldados e 783 desertores. A violência se intensificou no país, apesar da presença de 300 observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) encarregados de verificar a trégua negociada em 12 de abril mas que não tem apresentado eficiência. De acordo com relatos, os bombardeios ainda são intensos na Síria, principalmente na cidade de Homs, no centro do país, local considerado o foco da resistência a Assad. Há ainda informações de que o chamado Exército Sírio Livre aumenta seu contingente devido aos desertores do Exército oficial. TEMOR O governo dos Estados Unidos revelou ontem temer que o regime do ditador Bashar al Assad esteja preparando um novo massacre na Síria. O receio é baseado na movimentação suspeita de helicópteros, tanques e morteiros do regime sírio na localidade de Hafe, no nororeste do país, registrada pela missão de observadores da ONU (Organização das Nações Unidas) e revelada pelo enviado especial à Síria, Kofi Annan. A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland, lembrou as consequências aos governantes sérvios na Guerra da Bósnia, entre 1991 e 1995, para fazer um alerta ao ditador Bashar al Assad. "Lembramos aos comandantes sírios uma das lições da [Guerra da] Bósnia: a comunidade internacional pode descobrir que unidades são responsáveis por crimes contra a humanidade e os senhores serão considerados responsáveis por suas ações". Nuland voltou a negar a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos na Síria para derrocar o regime. "Nossa preocupação se baseia em que uma intervenção de forças estrangeiras nesse conflito --que está à beira de se tornar uma guerra civil-- não se transforme em uma guerra de poderes". Mais cedo, o enviado especial à Síria, Kofi Annan, por meio de comunicado, manifestou sua preocupação com os últimos bombardeios na cidade de Homs, região central do país, assim como informações sobre o uso de morteiros, tanques e helicópteros em Hafe, na província de Latakia.