MUNDO
Sexta-feira, 30 de Maio de 2008, 20h:12
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TRABALHO CLANDESTINO
Rede brasileira é desmontada na França
Segundo a imprensa francesa, quase 300 policiais foram mobilizados na terça-feira e quinta-feira, ao fim de cinco meses de investigações
Uma rede brasileira de falsificação de documentos, que permitia a empresas de construção empregar pessoas sem documentos pela metade do salário, foi desmantelada em Paris e Lyon após a prisão de 79 pessoas. Os 28 principais nomes da organização e seis executivos de construtoras foram detidos preventivamente. Entre os presos estão vários brasileiros, segundo uma fonte policial. Os outros detidos são imigrantes sem documentos. O departamento especializado da polícia de fronteiras da França, responsável pela investigação, confiscou uma grande quantidade de material nos oito escritórios de falsificação de documentos descobertos na região de Paris. Quase 300 policiais foram mobilizados na terça-feira e quinta-feira, ao fim de cinco meses de investigações. O volume de negócios da rede durante o mesmo período foi avaliado em 1,2 milhão de euros [cerca de R$ 3 milhões]. Cada escritório produzia documentação falsa, em particular carteiras de identidade portuguesas, espanholas, francesas e italianas, assim como carteiras de motoristas, por um valor de 30 mil euros mensais [cerca de R$ 76 mil]. A investigação descobriu que quase todos os estrangeiros sem documentos e em situação irregular haviam sido contratados por empresas de construção nas duas regiões. Os trabalhadores recebiam um salário médio de 60 euros diários [cerca de R$ 150], quando a jornada média diária de um emprego idêntico chega a 105 euros [cerca de R$ 266]. IMIGRAÇÃO França e Espanha passaram quatro meses estudando uma proposta comum para o pacto europeu sobre imigração. A versão preliminar, um texto de apenas cinco folhas que o governo francês enviou à Espanha em janeiro, aposta no controle estrito das fronteiras e numa "seleção" dos imigrantes. O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) o rejeitou, segundo fontes de governo, que não se pronunciaram sobre o resto do "plano Sarkozy", informou o jornal espanhol El País. No plano proposto, também seria imposto aos estrangeiros um contrato de integração - onde os imigrantes estariam obrigados a aprender o idioma e os costumes do país -, similar ao que o Partido Popular (PP) defendeu na Espanha durante a última campanha eleitoral. De acordo com o El País, a proposta tem como objetivo frear a entrada de imigrantes na Europa, com cinco pilares: controle de fronteiras, seleção de imigrantes, agilização das expulsões, política comum de asilo e ajuda para o retorno ao país de origem. O presidente francês Nicolas Sarkozy e o primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero trabalhavam no que queriam que fosse o documento dos membros da União Européia na política comum de imigração.