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MUNDO
Quinta-feira, 05 de Março de 2009, 20h:34

INTERNACIONAL

Prisão de presidente do Sudão gera controvérsia

A ordem de detenção do presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al Bashir, decretada pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) gerou controvérsia na comunidade internacional ontem. Entidades como a ONU (Organização das Nações Unidas) e UA (União Africana) afirmam que a decisão poderá comprometer a estabilidade do país. O pedido de prisão foi feito com base nas sete acusações de crimes de guerra e contra a humanidade, durante o conflito em Darfur que culminou na morte de 300 mil pessoas. O presidente é o primeiro da história em exercício a ser condenado por crimes de guerra. Segundo o tribunal, Bashir ordenou que as forças governamentais sudanesas atacassem três grupos étnicos não árabes da região com a intenção de "neutralizá-los". O processo não inclui os crimes de genocídio, pois a Promotoria argumentou "inexistência de provas". A decisão cabe recurso. Nesta quinta-feira, no primeiro discurso depois da decisão, o presidente minimizou o caso e dançou para a população. O presidente da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Miguel d'Escoto Brockmann, lamentou o pedido de prisão e disse que a decisão adotada pela corte prejudica os esforços para conseguir a paz e a justiça no mundo. "Acho que [a decisão] está mais motivada por razões políticas do que realmente pelo desejo de fazer avançar a causa da justiça no mundo", afirmou Brockmann. O representante da ONU disse que "teria sido melhor acusar certos dirigentes de países poderosos" e comparou o conflito em Darfur com a Guerra no Iraque. "Estou muito preocupado com a manipulação da justiça internacional. Isso não contribui para a causa da paz", disse. O Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA) expressou também a inconformidade com a decisão e pediu ao presidente da Comissão, Jean Ping, que envie uma delegação de alta categoria ao Conselho de Segurança das Nações Unidas em Nova York para tentar reverter a situação. "Lamentamos que isso tenha ocorrido, apesar de nossa solicitação de que a ordem de detenção fosse suspensa por um ano", disse aos jornalistas o embaixador de Burkina Fasso, na Etiópia, Bruno Zidouemba, que também é o representante permanente de seu país na União Africana. PAZ Segundo o embaixador etíope, que ocupa atualmente a presidência rotativa do Conselho de Paz e Segurança da UA, "a preocupação com a justiça deve ser acompanhada da preocupação com a paz". "É inédito na história da África que um chefe de Estado tenha sido acusado (oficialmente) desta maneira", disse Zidouemba, enquanto o embaixador sudanês na Etiópia e representante permanente na UA, Mohieldin Salim Ahmed, disse que o governo e o povo do Sudão condenam taxativamente a medida do TPI.

Edição EDIÇÃO 16964




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