MUNDO
Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011, 20h:15
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MUBARAK SAI
Pressionado, ditador egípcio renuncia
O governo de transição no país ficará sob o comando de uma junta militar liderada pelo atual ministro da Defesa, marechal Tantawi, de 79 anos
ALEX RODRIGUES e RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil Brasília
Depois de 18 dias de protesto contra o governo do Egito, o presidente do país, Hosni Mubarak, de 82 anos, renunciou ontem ao cargo. Ele passou quase três décadas no poder. A decisão foi anunciada em um comunicado na rede estatal de televisão. Após o anúncio de Mubarak, os manifestantes reunidos na Praça Tahrir, que virou uma espécie de símbolo para as manifestações no Egito, e em vários locais do país comemoraram. Os manifestantes prometeram intensificar os protestos, caso Mubarak insistisse em se manter no cargo. Autoridades egípcias confirmaram que Mubarak e a família deixaram o Cairo, pela manhã, em direção ao resort de Charm el-Cheikh, no Mar Vermelho. O resort fica a 250 quilômetros do Cairo. Helicópteros foram vistos deixando a residência oficial do presidente na manhã de ontem. Em Brasília, a Embaixada do Egito no Brasil informou que não prestará esclarecimentos sobre a renúncia de Mubarak nem sobre como será o funcionamento do governo provisório. De acordo com a assessoria da representação diplomática, se houver algum tipo de manifestação, ela será feita por meio de comunicado enviado aos veículos de imprensa por e-mail. Nos 18 dias de protestos contra Mubarak, a embaixada se manifestou em uma ocasião em uma nota, na qual pediu desculpas ao governo brasileiro pelo tratamento dispensado pelas autoridades egípcias aos repórteres Corban Costa, da Rádio Nacional, e Gilvan Costa, da TV Brasil. Corban e Gilvan foram presos por 18 horas, tiveram os olhos vendados e os equipamentos apreendidos. Depois do pedido formal de desculpas, o governo brasileiro decidiu não apresentar uma nota de protesto ao Egito. O embaixador do Brasil no país, Cesario Melantonio Neto, chegou a elaborar uma proposta de queixa formal ao governo egípcio. JUNTA MILITAR As renúncias do presidente do Egito, Hosni Mubarak, e do vice-presidente, Omar Suleiman, inauguram uma nova etapa política no país africano. O governo de transição ficará sob o comando de uma junta militar liderada pelo atual ministro da Defesa, marechal Tantawi, de 79 anos. Com os militares no poder provisoriamente, a expectativa é que sejam abertas as negociações com a oposição para o restabelecimento da democracia no país. A junta militar deve reunir oficiais das três Forças Armadas (Exército, Marinha e Aeronáutica). Até a tarde de ontem, não havia detalhamento sobre os nomes que integrarão o governo de transição egípcio. A primeira medida esperada pela oposição é a suspensão do estado de emergência, que vigora no Egito há quase três décadas. A medida de exceção limita direitos individuais e a liberdade de expressão no país. Os integrantes do governo de transição devem promover reuniões com os líderes da oposição.