MUNDO
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009, 20h:18
A
A
LULA
Presidente pede fim dos paraísos fiscais
A Suíça tem um terço das fortunas do mundo, com os bancos administrando cerca de US$ 3 trilhões em um país com uma população menor que a da cidade de SP
JAMIL CHADE
Da Agência Estado Genebra
Em plena Suíça, país conhecido por suas contas secretas e por ter um terço das fortunas do mundo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu o fim dos paraísos fiscais. Em discursos ontem em Genebra, Lula insistiu que a luta contra os paraísos fiscais deveria ser uma das prioridades na reforma do sistema financeiro internacional. Ele ainda sugeriu que aqueles que queiram ter seu dinheiro guardado em bancos, que permitam que os recursos sejam utilizados apenas para investimentos produtivos, e não em especulação. "Não podemos conviver com paraísos fiscais", disse Lula na Conferência Internacional do Trabalho, que incluía uma delegação suíça. "Acho que isso (o fim dos paraísos fiscais) seria um bem para a humanidade", disse. Lula ainda se reuniu ontem com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, um dos líderes europeus que mais tem atacado a existência dos paraísos fiscais. Questionado sobre como acabaria com os paraísos fiscais, Lula deu uma opção, mas não falou na questão da evasão fiscal. "O cidadão tem dinheiro e quer guardar o dinheiro, ele guarda num banco e permite que o banco utilize o dinheiro para fazer investimento produtivo. Eu acho isso. É difícil, mas não é impossível. O importante é que já tem a vontade política, disposição e isso foi aprovado na última resolução do G20", disse. Ele admitiu que o trabalho não será fácil. CIDADÃO DO MUNDO Depois de ser presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva anuncia que quer ser "cidadão do mundo". Ontem, em um discurso para mais de 3 mil pessoas na Assembleia Geral da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Lula garantiu que seu mandato termina em um ano e meio, mas indicou que depois atuará para solucionar problemas mais amplos. "Eu estou presidente da república. Mas em uma ano e meio, estarei como cidadão do mundo, brigando para que as coisas melhorem", disse Lula. O presidente insistiu que, pelo menos no Brasil, ele já estaria fazendo sua parte na luta contra os problemas de injustiça ao regularizar a situação de milhares de imigrantes que estavam no País de forma ilegal. Ele ainda criticou os países ricos e deixou claro que a crise precisa gerar uma mudança no equilíbrio de poder entre os países. Ao terminar seu discurso, Lula foi ovacionado pela plateia, composta por ministros do Trabalho de todos os países, além de sindicatos do mundo inteiro e representantes patronais. Um coro chegou a ser ensaiado por alguns instantes por delegados a Lula. Mas Lula negou que estivesse se apresentando como candidato a algum posto. Na ONU, Lula ainda falou no Conselho de Direitos Humanos. Nos corredores das Nações Unidas, funcionários da entidade promoveram uma intensa tietagem, pedindo fotos ao lado do presidente brasileiro ou apenas um aperto de mão.