Presidente afegão diz que recebeu "malas de dinheiro"
O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, admitiu ontem que seu gabinete recebeu malas de dinheiro do Irã, mas disse que isso foi feito de forma "transparente" para ajudar a cobrir despesas do palácio presidencial, e que os EUA fazem pagamentos semelhantes. "Foi oficial e sob minha ordem", disse Karzai. "Isso é transparente, isso é algo que eu discuti até mesmo com o [ex] presidente George [W.] Bush, nada é escondido, os EUA fazem a mesma coisa, também dão malas de dinheiro, é a mesma coisa." Em resposta, o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley, disse que preocupa aos EUA os motivos para o Irã oferecer tal apoio --e não necessariamente a forma como ele é efetuado. "Continuamos céticos em relação à motivação do Irã, dado seu histórico de jogar um papel desestabilizador com seus vizinhos. Esperamos que o Irã assuma a responsabilidade de manter uma papel construtivo no futuro do Afeganistão." O assunto veio à tona pela primeira vez no domingo. Citando fontes anônimas do governo afegão, o jornal americano "The New York Times" afirma que o chefe de gabinete de Karzai, Umar Daudzai, recebeu pagamentos do vizinho Irã para garantir lealdade e influência. As malas cheias de dinheiro vindas do Irã - possivelmente até US$ 6 milhões (R$ 10 milhões) em um único pagamento - teriam sido usadas para pagar parlamentares, líderes tribais e até mesmo comandantes do Taleban. NEGA A embaixada iraniana no Afeganistão negou as alegações. "Trata-se de rumores infundados e insultos que têm como único objetivo influenciar a opinião pública e prejudicar as relações entre dois países amigos. A embaixada da República Islâmica do Irã no Afeganistão repudia essa denuncia falsa, ridícula e insultante", afirmou em comunicado. "Os vínculos históricos e culturais entre as duas nações são tão firmes que superam essa campanha de mentiras orquestrada pela imprensa ocidental." O Irã tem ampla e crescente influência no Afeganistão, especialmente no oeste do país, onde tem importantes relações econômicas. Os EUA repetidamente acusam Teerã de ajudar os insurgentes no Afeganistão.