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MUNDO
Segunda-feira, 01 de Junho de 2015, 20h:10

AVIÃO/ABATE

Piloto brasileiro continua preso

O piloto paranaense Asteclínio da Silva Ramos Neto, que teve o avião derrubado durante um voo particular em Satipo, no Peru, continua preso. Ele teve o avião derrubado pelo exército peruano por suspeita de tráfico de drogas, de acordo com o advogado Rodrigo Faucz, que foi contratado pela família para cuidar do caso. O incidente ocorreu no dia 15 de abril. Asteclínio já tinha sofrido um acidente envolvendo outra aeronave no Paraná. O acidente foi em Foz do Iguaçu, na região oeste, em maio de 2014, segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Na ocasião, segundo a Anac, Asteclínio tinha saído de um aeroporto particular da cidade em um monomotor brasileiro de prefixo PT-SNI para transportar quatro paraquedistas que pretendiam fazer saltos na região. No retorno do voo, ele precisou fazer um pouso de emergência em uma plantação de milho após ter verificado falhas no motor. Ninguém ficou ferido. Ainda de acordo com a Anac, desde a época desse acidente, Asteclínio teve a habilitação e o Certificado Médico Aeronáutico (CMA) suspensos e não renovou. Sem a renovação, ele não poderia fazer voos em terrirórios brasileiros. Para exercer a função no exterior, ele precisaria de outra autorização das autoridades do país a ser sobrevoado. A importância da renovação do CMA, informa a Anac, é assegurar, via laudo médico, que após o incidente/acidente o piloto continua possuindo todas as capacidades físicas e mentais para prosseguir na operação de aeronaves, visando a segurança das operações. Com os disparos, o avião caiu em uma área de mata e, em seguida, foi revistado pelos atiradores. Ainda de acordo com o advogado, as equipes não constataram nenhum resquício de drogas e, em seguida, prenderam o piloto. Um colombiano, que não teve o nome divulgado, era passageiro da aeronave e também ficou ferido e foi preso. O paranaense não conhecia o colombiano, segundo Faucz. O caso está sendo investigado pelas Forças Armadas do Peru. "Nós não entendemos ainda o porquê de terem aberto fogo contra essa aeronave e de terem efetuado a prisão. Meu cliente nunca se envolveu com qualquer situação ilícita", relatou o advogado, que declarou ainda que Asteclínio concluiu o curso de piloto civil em 2013. Asteclínio tinha ido até a Bolívia para verificar a possibilidade de cursar medicina. O homem que o contratou fez o pagamento adiantado do serviço, explica Faucz. Rodrigo Faucz disse ainda que o piloto decolou com o colombiano de Santa Rosa, na Bolívia, em direção ao Peru. "O avião pousou em Satipo para pegar um terceiro passageiro, mas ele não estava no local. Foi então que os atiradores derrubaram a aeronave. Isso não deu nem dois minutos depois da decolagem", acrescenta Faucz. O caso aconteceu no dia 15 de abril. O paranaense teve ferimentos no braço e no abdômen e ficou hospitalizado sob custódia da polícia peruana por três semanas. Ele recebeu alta no dia 14 de maio e foi transferido para um presídio de Satipo. O governo peruano foi procurado para comentar a situação, mas as autoridades locais informaram apenas que estão tratando o caso diretamente com o Itamaraty. O Ministério das Relações Exteriores informou que a Embaixada do Brasil, em Lima, foi informada pelas autoridades peruanas no dia 17 de abril sobre a prisão de Asteclínio por “estar pilotando aeronave que seria utilizada para transporte de quantidades consideráveis de drogas, destinadas ao mercado internacional”.

Edição EDIÇÃO 16966




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