As autoridades paquistanesas alertaram ontem os Estados Unidos que poderão deixar de ser um aliado de Washington se persistirem as acusações de que Islamabad está envolvido nos recentes atentados contra americanos no Afeganistão. "Comunicamos a Washington que eles perderão um aliado. Eles não podem permitir um afastamento do Paquistão. Não podem permitir um afastamento do povo paquistanês", alertou o ministro das Relações Exteriores, Hina Rabbani Khar, em declarações ao canal Geo TV. O militar americano de maior patente, o Mike Mullen, acusou na véspera o Paquistão de incentivar a violência no Afeganistão ao recorrer aos insurgentes da rede Haqqani "como instrumento político". "O Paquistão exporta violência para o Afeganistão", afirmou. "A rede Haqqani age como o verdadeiro braço direito do ISI paquistanês", o serviço secreto do Islamabad, afirmou o chefe do Estado-Maior diante dos senadores da Comissão de Defesa. PRESSÃO Após vários dias, os Estados Unidos tornaram pública a pressão sobre o Paquistão a fim de que o país pare de apoiar grupos talibãs, entre eles a rede Haqqani, com ameaças de tomar "medidas apropriadas". Este grupo, que utiliza como retaguarda as regiões tribais do Waziristão, no noroeste do Paquistão, é acusado por Washington de realizar dois ataques contra bases da Otan, a aliança militar do Ocidente, e contra a embaixada americana em Cabul.