O papa Bento 16 condenou ontem as estruturas econômicas que põem o lucro diante das pessoas, no início de uma viagem pela Espanha, afetada pela recessão e onde os custos da visita do pontífice provocaram violentos protestos. "A economia não pode ser medida pelo lucro máximo, mas pelo bem comum", disse Bento 16 a jornalistas no avião que o levava a Madri para o início de uma visita de quatro dias, concentrada nas festividades da JMJ (Jornada Mundial da Juventude), evento da Igreja Católica Romana. "A economia não pode funcionar somente com autorregulamentação mercantil, mas precisa de um motivo ético para agir pelo homem", disse ele. A economia espanhola enfrenta dificuldades para sair de uma recessão que deixa um em cada cinco trabalhadores desempregados, dos quais boa parte é jovem. O descontentamento com os cortes de gastos do governo, a economia em dificuldades e a perda de perspectivas de obter um emprego deu origem a um movimento de protesto denominado "Os Indignados", formado por jovens que ocuparam em maio a praça central de Madri, a Puerta del Sol. Os custos da viagem do papa num momento de crise econômica reacenderam os protestos dos Indignados e outros grupos, incluindo gays e lésbicas. As manifestações se tornaram violentas na quarta-feira, quando houve confrontos entre jovens que protestavam e peregrinos que iriam participar do encontro católico.