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MUNDO
Segunda-feira, 23 de Março de 2009, 21h:01

EUA

Pacote dos EUA anima bolsas do mundo

O Departamento do Tesouro divulgou ontem uma parceria Público-Privada que tem como ambição limpar até US$ 1 trilhão em ativos problemáticos dos balanços de bancos

O pacote de compra de ativos tóxicos - investimentos lastreados por hipotecas problemáticas e outros ativos de risco - nos Estados Unidos animou as bolsas no mundo todo. O índice Dow Jones - que mede o desempenho das ações mais negociadas na bolsa de Nova York - fechou em alta de 6,84%. É a maior alta desde 28 de outubro do ano passado. O índice S&P 500 subiu 7,07%, a maior valorização desde 16 de fevereiro deste ano. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo acompanhou o otimismo e encerrou o dia aos 42.438 pontos, em alta de 5,89%. A alta das bolsas foi puxada pelo desempenho das ações de instituições financeiras. Os papéis de seguradoras, que também serão beneficiadas pelo programa, também subiram. O Departamento do Tesouro divulgou ontem uma parceria Público-Privada que tem como ambição limpar até US$ 1 trilhão em ativos problemáticos dos balanços de bancos, que estão bloqueando empréstimos e agravando a recessão. Como os bancos são os beneficiários do plano, as ações do Citigroup e do Bank of America se destacaram. Ambas as instituições detêm o maior número de ativos problemáticos, alvos do plano.Também no mercado de camâmbio, houve reações. O dólar no mercado à vista encerrou em queda de 0,84%, cotado a R$ 2,2450 - menor valor desde o dia 9 de fevereiro deste ano (de R$ 2,237). PACOTE Geithner disse que a criação de parcerias público-privadas para adquirir ativos tóxicos de bancos pode ajudar a evitar uma recessão mais longa e profunda e facilitar a obtenção de capital privado pelos bancos. Mas o governo não poderia assumir sozinho a responsabilidade de fazer com que os mercados de crédito funcionem apropriadamente. "Para o funcionamento desses programas, os investidores têm que estar preparados para assumir algum risco", acrescentou o secretário. Geithner tem sido criticado por seu desempenho diante da crise econômica e por uma série de bônus distribuídos no setor financeiro dos EUA. Mais cedo, um representante do governo do presidente Barack Obama afirmou que o Tesouro planeja colocar de US$ 75 bilhões a US$ 100 bilhões para lançar as parcerias público-privadas. O dinheiro, tirado do pacote de US$ 700 bilhões aprovado pelo Congresso em outubro, será colocado lado a lado com capital privado e, então, alavancado a até US$ 500 bilhões ou possivelmente o dobro desse valor. As ações dos bancos são castigadas desde o final do ano passado, refletindo os elevados prejuízos que tiveram de assumir em seus balanços relativos, em parte, aos chamados ativos tóxicos. Os bancos tiveram juntos prejuízo, em média, de US$ 32,1 bilhões no quarto trimestre, o primeiro prejuízo desde 1990, disse o Federal Deposit Insurance Corp. Mais recentemente, os papéis das instituições financeiras atingiram os menores preços em mais de 12 anos, com os papéis do Citi chegando a US$ 0,97 em 5 de março. Em fevereiro, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, frustrou o mercado ao anunciar apenas as linhas gerais de um plano para adquirir os ativos com problemas dos bancos.

Edição EDIÇÃO 16965




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