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MUNDO
Segunda-feira, 23 de Junho de 2008, 20h:09

GOVERNADORES

Oposição pedem pacto com Evo

Quatro governadores propuseram ao presidente boliviano, Evo Morales, um pacto nacional para conduzir o país a um regime de autonomia. A proposta foi feita um dia após o departamento (Estado) de Tarija ser o quarto a aprovar em referendo um texto sobre autonomia. Localizado no sul, Tarija concentra 85% das reservas de gás do país. Com a votação nesse Estado, fechou-se o ciclo de quatro departamentos que aprovaram estatutos autonômicos entre maio e junho - também votaram Santa Cruz, Beni e Pando. O "sim" venceu com mais de 80% dos votos em Tarija. A decisão expôs a confrontação entre o governo federal e as regiões nas quais se concentra a maioria dos recursos econômicos do país, dominadas por opositores de Evo. "É preciso trabalhar sobre a idéia da reconciliação nacional, porque não há nenhuma possibilidade de se complementar nada se não houver um reencontro", disse o governador de Tarija, Mario Cossío. Para o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, é necessário "fazer um pacto nacional como fez a Espanha há 30 anos, com o Pacto de Moncloa, que transformou esse país". PARTIDOS Firmado por todos os partidos espanhóis representados no Parlamento em 1977, o Pacto de Moncloa buscou consolidar o processo democrático e resolver a crise econômica enfrentada pelo país, dois anos após a morte do ditador Francisco Franco. O governo federal não reconheceu os resultados de Tarija, como fez com as três votações anteriores. "Os referendos não são legais e não têm nenhuma vinculação", afirmou o ministro da Casa Civil, Juan Ramón Quintana. "Enquanto não houver uma nova Constituição, só são consultas públicas." O porta-voz de Evo, Iván Canelas, declarou que o referendo em Tarija foi um "show midiático". "Não complica em nada o governo, nós insistimos no diálogo (com os governadores), mas não houve resposta."

Edição EDIÇÃO 16961




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