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MUNDO
Terça-feira, 08 de Dezembro de 2015, 20h:12

VENEZUELA

Oposição conquista maioria no Parlamento

A oposição conquistou a maioria parlamentar pela primeira vez em 16 anos, beneficiado pelo descontentamento popular na Venezuela com uma crise econômica

A coligação da oposição venezuelana, Mesa da Unidade Democrática (MUD), conquistou a maioria qualificada de três quintos nas eleições parlamentares de domingo, anunciou ontem o Conselho Nacional Eleitoral (CNE). A MUD elegeu 110 dos 167 deputados que compõem a Assembleia Nacional (Parlamento), indicou o CNE, acrescentando que o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), do presidente Nicolás Maduro e fundado pelo ex-presidente Hugo Chávez, obteve 55 assentos, faltando definir dois lugares. A oposição conquistou a maioria parlamentar pela primeira vez em 16 anos, beneficiado pelo descontentamento popular na Venezuela, com uma crise econômica provocada pela queda dos preços do petróleo. O fato de obter a maioria de três quintos no Parlamento permite à oposição votar uma moção de censura contra os ministros ou o vice-presidente, podendo levar à sua destituição. Se a MUD conquistar ainda os dois que faltam apurar, ficará com maioria qualificada de dois terços (112), com a qual poderá convocar uma Assembleia Constituinte ou destituir juízes do Supremo Tribunal de Justiça. Os dirigentes da MUD afirmam, desde a noite de domingo, que a coligação conseguiu a maioria de dois terços no Parlamento. CONVOCAÇÃO O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, convocou, ontem, os militantes do chavismo (seguidores do ex-presidente Hugo Chávez) para uma “grande jornada de debate” e de diálogo, com o objetivo de analisar o “revés” nas eleições parlamentares de domingo. Em pronunciamento no Palácio de Miraflores, sede do governo, Maduro falou de um “debate integral, para fortalecer a revolução e procurar soluções para as questões do país”, um debate para “fazer mais revolução”. O chefe de Estado venezuelano fez o apelo, em companhia dos ministros e ex-candidatos às eleições parlamentares. Ele disse que o debate não é para o chavismo se “autoflagelar”, como “quer a embaixada gringa [norte-americana] e o imperialismo”, mas para “reconstruir nova maioria revolucionária”. Acrescentou que será feita “uma grande jornada de debate, de consulta e de elaboração da estratégia de ação” face à nova etapa que começa na revolução bolivariana. “Vocês não sabem a dor que levamos no coração depois deste revés eleitoral, de como a burguesia fez danos ao povo, não apenas economicamente, mas também confundindo importantes setores de nossa sociedade, de nosso amado povo, ao qual dirigimos uma mensagem: Nós somos vocês”, disse Maduro. Segundo ele, “não há tempo para tristezas”, mas para “lutar” e procurar a união entre os chavistas. O presidente anunciou que já tem pronto um “primeiro cronograma de debate, consulta e ação” e que nas próximas quinta e sexta-feira haverá uma jornada especial de trabalho, de avaliação e planejamento dos delegados do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), no poder. Hoje, haverá reunião especial com os secretários-gerais dos partidos que integram a aliança que apoia o governo, chamada Grande Polo Patriótico “para unificar critérios e identificar assuntos”. Os resultados preliminares das eleições parlamentares de domingo indicam que a aliança da oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) obteve 99 deputados, enquanto o chavismo conquistou 46.

Edição EDIÇÃO 16967




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