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MUNDO
Quarta-feira, 07 de Julho de 2010, 21h:00

ESPIÕES

Onze são formalmente acusados nos EUA

Os acusados teriam coletado informações desde programas de pesquisa de pequena produção, ogivas nucleares de alta penetração e o mercado mundial de ouro

As 11 pessoas suspeitas de espionar para a Rússia foram formalmente acusadas em uma acusação federal divulgada ontem, mais de uma semana após o FBI (polícia federal americana) anunciar a prisão delas. Todos são acusados de conspirar para agir como agentes secretos, e nove são acusados também de conspiração para cometer lavagem de dinheiro. O documento de acusação pode ser usado durante um julgamento ou se os acusados entrarem com recurso. Ele contém muito menos detalhes dos supostos crimes do que havia em duas reclamações criminais preenchidas na semana passada. Promotores revelaram uma cópia da acusação no mesmo dia em que juízes federais em Boston e Alexandria (Virgínia) assinaram ordens direcionando cinco acusados presos em Massachusetts e Virgínia para Nova York, onde as têm origem as acusações. O desenvolvimento legal acontece em meio a boatos de que autoridades americanas estariam se encontrando com o embaixador russo em Washington, e o anúncio do irmão de um espião condenado na Rússia, dizendo ter sido informado sobre sua possível troca por russos presos nos EUA. O FBI (Polícia Federal americana) prendeu nesta semana os dez acusados de manter identidades falsas nos EUA para se aproximar de fontes políticas e obter informações críticas sob ordem do governo russo. O 11º suspeito, Christopher Metsos, foi preso na ilha mediterrânea de Chipre, mas fugiu depois de ser libertado sob fiança. NEGA A Rússia negou vigorosamente saber da rede de espionagem, um grupo que seria denominado 'ilegais' por Moscou. Depois, admitiu que alguns dos suspeitos eram efetivamente russos e os dois países passaram a declarar que o caso não afetaria as recém-retomadas relações diplomáticas. A audiência de três dos dez supostos espiões russos detidos há duas semanas nos Estados Unidos foi cancelada de maneira abrupta, em meio a boatos de que a Rússia quer negociar uma troca de espiões prisioneiros com Washington. Segundo fontes judiciais, compareceriam em um tribunal da cidade de Alexandria, no Estado americano da Virgínia, os supostos espiões Mikhail Kutzik (que usava o nome de Michael Zottoli), Natalia Pereverzeva (Patricia Mills) e Mikhail Semenko. A audiência, contudo, foi suspensa e transferida para Nova York, onde continua o processo contra o restante dos detidos. Mais cedo, a família e o advogado do cientista russo Igor Sutyagin, condenado e preso por espionagem para a CIA (Central de Inteligência Americana), dizem que Moscou quer trocar sua libertação pelos espiões russos presos nos EUA. O Ministério de Relações Exteriores russo não quis comentar as informações. O cientista foi preso em 1999 e condenado, em 2004, a 15 anos de prisão por passar informação sobre os submarinos nucleares e sistemas de alerta de mísseis para uma empresa britânica que, segundo os investigadores, era disfarce da CIA. A advogada do cientista, Anna Stavitskaya, citada pela agência de notícias Reuters, disse que a troca seria de um por um. Assim, o cientista garantiria a libertação de apenas um dos espiões detidos. O cancelamento da audiência de ontem deu força aos boatos de uma troca. As autoridades americanas revelaram ter descoberto o esquema de espionagem da Rússia em solo americano e a prisão de dez dos onze indiciados apenas horas depois do presidente russo, Dmitri Medvedev, encerrar uma visita aos EUA.

Edição EDIÇÃO 16961




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