MUNDO
Quarta-feira, 29 de Maio de 2013, 21h:55
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SÍRIA
ONU condena estrangeiros em combates
Os militantes assumiram o envio de "combatentes estrangeiros", mas disseram que era para proteger as cidades libanesas que ficam na fronteira do país
O Conselho de Direitos Humanos da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovou uma resolução ontem condenando a participação de "combatentes estrangeiros" na operação de tropas do regime sírio na cidade de Quseir, na região central da Síria. O texto não menciona diretamente quem seriam os estrangeiros, mas é uma alusão ao grupo radical libanês Hizbollah que, segundo diplomatas franceses, enviou 4.000 combatentes à cidade. Os militantes assumiram o envio, mas disseram que era para proteger as cidades libanesas que ficam na fronteira do país. Ativistas da oposição síria dizem, no entanto, que os libaneses fazem parte do cerco a Quseir que, em nove dias deixou centenas de mortos e provocou a saída de mais de 25 mil moradores. A resolução, no entanto, não tem poder para aplicar sanções, atribuição exclusiva do Conselho de Segurança. A medida foi aprovada por representantes de 36 países e rejeitada só pela Venezuela, aliada de Damasco. Outros oito países - Angola, Equador, Congo, Etiópia, Índia, Indonésia, Filipinas e Uganda - se abstiveram na votação. O Brasil votou a favor. O conselho diz que a intervenção causa um "impacto negativo" no Oriente Médio e enfatiza a necessidade de garantir que os responsáveis pelas ações em Qusair prestem contas à Justiça por seus atos e decisões. O texto ainda pede acesso das agências humanitárias da ONU às zonas de guerra. O documento foi criado por iniciativa de Qatar, Turquia e Estados Unidos, países que apoiam abertamente a oposição síria. A resolução gerou fortes críticas de Irã, China e Rússia, aliados de Assad, por não fazer menção aos rebeldes. REFORÇOS Ontem, o Hizbullah enviou reforços a Qusair, para continuar os combates contra os rebeldes sírios. A decisão é tomada um dia após o ultimato do Exército Livre Sírio, uma das principais milícias opositoras. O chefe militar do grupo sírio havia prometido atacar o Líbano caso não fosse atendido. O regime de Assad tem interesse especial na cidade por ser a ligação entre sua fortaleza, Damasco, e a costa do Mediterrâneo - região base da população alauita, minoria que compõe o governo. Segundo um ativista ouvido pela rede de televisão Al Jazeera, houve seis bombardeios a Qusayr durante esta manhã. Dezenas de tanques e de veículos armados foram vistos a caminho dessa cidade, também. Insurgentes avaliam que o regime de Assad está preparando uma nova ofensiva a Qusayr. A cidade, que permaneceu por meses nas mãos de rebeldes, agora tem grandes porções sob o domínio do ditador. Há controvérsia sobre o quanto resta sob o controle da insurgência. O conflito na Síria foi iniciado em março de 2011, com manifestações pacíficas. A ONU estima que mais de 80 mil pessoas já tenham sido mortas em enfrentamentos. PEDIDO A alta comissária de direitos humanos da ONU, Navi Pillay, pediu ontem que as potências mundiais não forneçam armas à Síria, onde rebeldes e o regime do ditador Bashar al-Assad combatem há mais de dois anos. A declaração vem dois dias depois de a União Europeia acabar com o embargo ao envio de armas ao país, permitindo que França e Reino Unido armem os rebeldes sírios. Em represália, a Rússia disse que manterá o programa de envio de mísseis de longo alcance a Damasco. "Se a situação atual persistir, ou se deteriorar ainda mais, o aumento da massacres intercomunais são uma certeza, ao invés de um risco. A mensagem de todos nós deve ser a mesma: não vamos apoiar este conflito com armas, munições, política ou religião", disse ela ao fórum de 47 membros, em Genebra.