MUNDO
Sábado, 22 de Agosto de 2009, 23h:58
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AFEGANISTÃO
Observadores independentes apontam fraude
Já os observadores europeus presentes reconheceram que houve "violência generalizada e intimidação", mas qualificaram o processo de "bom e justo"
Observadores eleitorais independentes no Afeganistão afirmam que houve fraudes eleitorais generalizadas, violência e intimidação na eleição presidencial da quinta-feira. Segundo a Fundação Eleitoral para um Afeganistão Livre e Justo, procedimentos irregulares como a deposição de várias cédulas de voto por um único eleitor, ameaças e intimidação de eleitores analfabetos ocorreram em larga escala em várias partes do país. O relatório preliminar da fundação, que enviou cerca de 7.000 observadores para diversas partes do Afeganistão, questiona a legitimidade do pleito, mas afirma que ainda é muito cedo para emitir um parecer conclusivo. EUROPEUS Observadores europeus presentes no país reconheceram que houve "violência generalizada e intimidação", mas qualificaram o processo eleitoral de "bom e justo" e parabenizaram os afegãos pela organização da eleição, considerada uma "vitória". Autoridades eleitorais estimam que o comparecimento às urnas foi de 40% a 50%, o que, se confirmado, ficará bem abaixo dos 70% registrados nas eleições de 2004. Os primeiros resultados da eleição devem ser divulgados na próxima terça-feira, mas os dois principais candidatos, o presidente Hamid Karzai e o candidato de oposição Abdullah Abdullah, alegam ter vencido o pleito. O resultado final deve ser divulgado em setembro que vem. Ambos afirmaram que não vão incitar protestos de rua caso percam a disputa. Pesquisas de opinião realizadas antes das eleições indicavam que Karzai estava à frente de seu maior rival. Se nenhum dos candidatos obtiver 50% dos votos, a disputa será decidida no segundo turno, em outubro. VIOLÊNCIA Pelo menos dois eleitores que participaram da votação de quinta-feira no Afeganistão tiveram um dedo cortado por supostos talebans em Kandahar, no sul do país, anunciou ontem a associação Fefa (Eleições Livres e Limpas para o Afeganistão, na sigla em inglês), primeira organização afegã de observação das eleições. "Nossos observadores viram dois eleitores que tiveram os dedos, marcados com tinta, cortados em Kandahar. Isso aconteceu no dia das eleições, durante a tarde", declarou à agência de notícias France Presse o presidente da Fefa, Nader Nadery. "Não sabemos quem é o responsável, mas sabemos que os talebans tinham ameaçado fazer isso". Antes das eleições, rumores circulavam sobre ameaças supostamente proferidas pelos talebans de cortar os dedos dos eleitores. Os rumores foram desmentidos por um porta-voz dos rebeldes. De acordo com observadores independentes, o nível de participação não passou dos 10% em Kandahar e ficou entre 25% e 30% na província de Helmand, no sul do país.