Número de mortos no Haiti aumenta junto com protestos
Subiu para 1.344 o número de mortos no Haiti pela epidemia de cólera, que começou em meados de outubro, segundo um novo balanço divulgado ontem pelo Ministério da Saúde do país. O número de pessoas hospitalizadas chegou a 23.377 e foram registrados 56.901 casos de contaminação, segundo as novas estimativas. Enquanto isso, crescentes protestos contra os "capacetes azuis" da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah) --chefiada pelo Brasil-- acontecem às vésperas das eleições nacionais, previstas para o próximo domingo. Haitianos revoltados acusam membros da ONU vindos do Nepal de terem trazido o vibrião do cólera ao país. Os militares brasileiros que integram a força de paz no Haiti têm como principal desafio as manifestações de caráter político. São comuns os enfrentamentos entre militares brasileiros e manifestantes ligados a partidos políticos, segundo o coronel José Carlos Avellar, subcomandante do Brabatt 2, o mais novo dos três batalhões da força de paz brasileira no Haiti, criado semanas depois do terremoto em janeiro deste ano. "Alguns desses políticos não veem chance de vencer e procuram desestabilizar a situação para tentar adiar as eleições", disse Avellar. VÍTIMAS - Os números, segundo a Organização Pan-americana de Saúde, ainda estão subestimados. O órgão afirma que até 20 mil podem ser infectados e até 10 mil podem morrer nos próximos seis a 12 meses. O cólera, particularmente fatal em crianças e idosos, se desenvolve rapidamente depois das bactérias chegarem ao intestino. Os sintomas incluem forte diarreia e desidratação e, sem tratamento, pode matar em poucas horas.