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MUNDO
Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014, 19h:44

EBOLA/BRASIL

Novo exame descarta suspeita de ebola

Descartada a doença, será desmontado o esquema que monitorava as dezenas de pessoas que tiveram contato com Bah - a UPA e no local onde ele mora

JOHANNA NUBLAT e GIULIANA VALLONE
Da Folhapress – Brasília e Nova York
O resultado do segundo exame laboratorial feito em Souleymane Bah, 47, primeiro caso suspeito de ebola no Brasil, também é negativo, o que descarta em definitivo a possibilidade de infecção do paciente da Guiné pelo vírus. Bah chegou ao Brasil em 19 de setembro, vindo da Guiné - um dos países mais afetados pela doença no momento. Na quinta-feira, o paciente deu entrada em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Cascavel (PR), relatando febre, tosse e dor de garganta. Desde que foi admitido e isolado na UPA, porém, o paciente não apresentou nenhum sintoma característico do ebola - como febre, hemorragia e vômitos. Um primeiro teste, feito na sexta-feira, deu resultado negativo para infecção por ebola. Pelo protocolo, no entanto, um segundo exame deveria ser feito 48 horas após o primeiro para descartar a doença. O resultado deste segundo exame foi divulgado, na tarde desta segunda, pelo ministro Arthur Chioro (Saúde). Descartada a doença, será desmontado o esquema que monitorava, desde quinta, as dezenas de pessoas que tiveram contato com Bah - a UPA e no local onde ele mora - e o eventual surgimento de febre e outros sintomas para o ebola. Bah, nacional da Guiné, foi isolado na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e transferido em um avião da FAB (Força Aérea Brasileira) para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio. No local, foi colhido o material para esse primeiro exame. Na sexta-feira, o ministro já havia afirmado que o paciente não apresentava febre ou outros sintomas típicos da doença e que o quadro dele era estável. Assim que receber alta, Bah poderá retornar para o Paraná em um avião de carreira, e aguardar o resultado do seu pedido de refúgio. AJUDA Segundo o ministro Arthur Chioro (Saúde), o Brasil vai ampliar a ajuda humanitária a Guiné, Serra Leoa e Libéria, com a oferta de mais dez kits para o atendimento às vítimas - suficientes, cada um, para cuidar de 500 pacientes por três meses - e cerca de R$ 13,5 milhões em arroz beneficiado e feijão. Uma nova ajuda em dinheiro deve ser anunciada na próxima semana, para se somar a US$ 500 mil já doados. EUA Os funcionários de saúde que atenderam Thomas Duncan, o primeiro paciente diagnosticado com ebola nos EUA, no isolamento serão monitorados para os sintomas da doença, afirmaram as autoridades sanitárias norte-americanas. No domingo, foi confirmada a infecção pelo vírus de uma enfermeira que ajudou nos cuidados com o liberiano de 42 anos, morto na última quarta-feira, em Dallas (Texas). A funcionária, agora identificada como Nina Pham, 26, foi isolada e passa por tratamento no Hospital Presbiteriano de Saúde do Texas, onde trabalha. O diretor do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), Thomas Frieden, afirmou nesta segunda-feira (13) que é possível que haja outros casos de infecção entre os funcionários do hospital. Segundo ele, ainda não está claro como Pham pode ter sido contaminada. "Temos de repensar a forma com que lidamos com o controle do ebola, porque mesmo um único caso de infecção é inaceitável", disse. As autoridades investigam os protocolos de segurança para entender como a enfermeira pode ter sido contaminada. Para Frieden, o alvo de maior preocupação é a saída dos funcionários da área de isolamento do hospital. A infecção, afirmou, pode ter acontecido na retirada dos equipamentos de segurança. "Se o equipamento estiver contaminado, há a possibilidade de o funcionário se contaminar e se infeccionar nesse processo." Desde a divulgação do caso de Duncan, em 30 de setembro, 48 pessoas que tiveram possível contato com ele estão sendo monitoradas para os sintomas do ebola. De acordo com Frieden, nenhuma delas teve alteração no quadro de saúde. No caso de Nina Pham, apenas uma pessoa esteve em contato com a enfermeira após os primeiros sintomas da doença aparecerem. Esta pessoa também está sob monitoramento.

Edição EDIÇÃO 16968




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