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MUNDO
Terça-feira, 15 de Maio de 2007, 20h:52

ESCUDO ANTIMÍSSEIS

Norte-americanos não aceitam veto russo

O governo russo criticou duramente os planos americanos de montar um escudo antimíssil na Polônia e na República Tcheca

Os Estados Unidos não permitirão que a Rússia vete seus planos de construir um escudo antimísseis na Europa, afirmou ontem a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, em visita a Moscou. "Os Estados Unidos precisam seguir adiante e usar tecnologia para se defender e faremos isso", disse Rice a repórteres após uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin. "Não acredito que ninguém espere que os EUA permitam um veto de alguma forma aos interesses de segurança americanos.", acrescentou a Secretária de Estado dos EUA. O governo russo criticou duramente os planos americanos de montar um escudo antimíssil na Polônia e na República Tcheca, ex-satélites da União Soviética. Para a Rússia, esse escudo representaria uma ameaça a sua segurança. Mas Rice mostrou-se inflexível a respeito dessa questão. "Sempre teremos nossas diferenças, não há dúvidas a esse respeito", afirmou Rice. "Haverá momentos em que algo como um escudo de defesa antimíssil acertará um nervo exposto, mas a relação precisa ficar livre de uma retórica exacerbada." Lavrov garantiu à secretária que o discurso proferido por Putin na semana passada, interpretado por meios de comunicação russos como uma comparação entre a política externa dos EUA e a da Alemanha nazista, havia sido "compreendido de forma errada", disse Rice. APROXIMAÇÃO A Rússia e os EUA acertaram ontem diminuir o tom de sua guerra de palavras, mas não conseguiram aproximar-se a respeito dos pontos divergentes que marcam uma relação cada vez menos amistosa. Uma série recente de declarações hostis trouxe à tona as lembranças da Guerra Fria. Esse embate viu-se coroado por um discurso feito na semana passada pelo presidente russo, Vladimir Putin, no qual, celebrando a derrota da Alemanha nazista, pareceu comparar a política externa dos EUA com aquela do Terceiro Reich. A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse, após reunir-se com Putin na residência dele, nas cercanias de Moscou, que "esses discursos não ajudam". "Isso é perturbador para os norte-americanos que tentam fazer todo o possível a fim de manter uma relação equilibrada." O ministro russo das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, concordou, afirmando a repórteres que Putin era favorável "à sugestão americana sobre ser necessário diminuir o tom das declarações nos comunicados públicos e dar mais atenção a questões concretas". A guerra de palavras deixou líderes empresariais da Rússia assustados. Esses homens de negócio temem que o embate prejudique o crescente fluxo de comércio e investimento entre os dois países. A economia russa, cuja expansão apóia-se nos altos preços dos combustíveis e dos produtos de mineração, registra seu nono ano consecutivo de crescimento, oferecendo grandes oportunidades de negócio para empresas norte-americanas.

Edição EDIÇÃO 16968




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