Enviados especiais de seis países e representantes do governo do Irã se reuniram ontem na cidade de Istanbul, na Turquia, para pôr fim ao impasse sobre o programa nuclear iraniano. O encontro entre os iranianos e os enviados dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China - o grupo chamado de P5 + 1- marcou a retomada das negociações sobre o tema após uma interrupção de 15 meses. A última rodada de conversas sobre o programa nuclear do Irã se deu em janeiro de 2011 e falhou após nenhuma das fações envolvidas ter chegado a um acordo sobre quaisquer dos temas discutidos. A expectativa é de que as atuais negociações possam amenizar a tensão no Oriente Médio diante da potencial ameaça de um ataque contra as instalações nucleares iranianas. O governo do Irã afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos, mas críticos acusam o país de tentar desenvolver armas nucleares. Israel vem sinalizando nos últimos meses que poderia realizar o que chama de um ataque preventivo contra as instalações nucleares iranianas. As expectativas em torno do encontro são bem baixas. Os representantes da comunidade internacional não esperam que propostas de peso sejam feitas por nehum dos dois lados. O que os enviados dos seis países querem avaliar é se o Irã de fato está de fato disposto a dialogar com seriedade a respeito de seu programa nuclear. Caso eles avaliem que sim, uma nova rodada de negociações deverá ser convocada para dentro de quatro a seis semanas. Michael Mann, porta-voz da área de política externa da União Europeia, afirmou que o encontrou em Istanbul abriu com uma ''atmosfera postivia'' e que há ''um desejo de que se estabeleçam progressos significativos''. Mas o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, já afirmou que esta é a ''última chance'' do Irã para que uma saída diplomática funcione. E a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que os iranianos ''precisam demonstrar claramente nas ações que propõem que eles de fato abandonaram suas ambições de construir armas nucleares''. A Rússia, cuja política em relação ao Irã tem sido mais moderada deu uma declaração que refletiu essa postura. ''Precisamos encontrar um meio termo. As negociações visam retomar a confiança'', afirmou o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Ryabkov. No passado, a Rússia chegou a se oferecer para enriquecer o urânio iraniano em seu território, a fim de garantir que ele não seria usado em armas nucleares. Mas a proposta russa acabou não se concretizando. DECEPCIONANTE Na quinta-feira, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que seu país ''segue firme em buscar seus direitos fundamentais e que mesmo sob a mais dura pressão não irá recuar de seu direito inalienável''. Há sinais de que as atuais sanções em vigor contra o Irã poderiam ser amenizadas caso o país aceite os termos propostas na negociação.