Morales pede unidade antes de referendo separatista
O presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu ontem que os militares do país permaneçam unidos diante do referendo de autonomia a ser realizado no domingo no Departamento de Santa Cruz, no maior desafio até agora ao governo esquerdista do país. Um dia depois de ter nacionalizado quatro empresas de energia e a maior companhia de telecomunicações da Bolívia, Morales disse que alguns ex-comandantes militares, que ele não identificou, estariam a serviço de um suposto objetivo separatista do referendo. "Ex-comandantes me ensinaram a defender a pátria, e sinto que esse serviço continua, mas não é porque somos ex-soldados ou ex-comandantes que podemos ser influídos com algumas versões de independência de algum departamento, de uma nova república", disse Morales. "Todos, como instituições do Estado, temos a obrigação de cumprir com nosso dever, com a Constituição vigente, e sobretudo servir à unidade da pátria", acrescentou. Morales fez muitos elogios à cúpula militar, com a qual desenvolveu relações bastante cordiais. Segundo ele, quem pretende dividir as Forças Armadas "acha que está nas ditaduras, mas isso já terminou." Na semana passada, o governador de Santa Cruz, Rubén Costas, disse que uma "nova república" seria criada a partir do referendo de 4 de maio, cuja validade não é reconhecida pelo governo nem pela Justiça.