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MUNDO
Segunda-feira, 05 de Agosto de 2013, 19h:37

ESPIONAGEM

Ministros se reúnem com Ki-moon

Os ministros das Relações Exteriores do Mercosul participam, ontem, de uma reunião com o secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, na sede do órgão, em Nova York. Em comunicado, a Missão do Brasil na ONU informou que o encontro tratará de um repúdio do bloco sul-americano aos relatos de espionagem feita por agências de inteligência dos Estados Unidos nos países da região. Além do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, participam do encontro os chanceleres Héctor Timerman (Argentina), Luis Almagro (Uruguai) e Elías Jaua (Venezuela). O Paraguai não foi incluído porque ainda está suspenso do bloco. Em cumprimento a uma decisão coletiva do Mercosul, na Cúpula de Chefes de Estado realizada em Montevidéu (Uruguai) no dia 12 de julho, os chanceleres do bloco vão promover gestão conjunta com o secretário-geral da ONU para informar sobre os fatos e solicitar mecanismos de prevenção e sanção em nível multilateral no tema da espionagem. Os países do Mercosul condenaram as ações e repudiaram a interceptação das telecomunicações nos países da região. Segundo a emissora multiestatal de televisão, Telesur, também deverá ser tratada no encontro a recusa de países europeus de autorizar o sobrevoo e a aterrissagem do avião do presidente boliviano, Evo Morales, por suspeitarem de que a aeronave transportava o ex-consultor norte-americano Edward Snowden. EVO MORALES O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse ontem que os países da América Latina devem trabalhar juntos para conseguir a "descolonização". Morales discursou durante o encerramento do Foro São Paulo, encontro que reúne os partidos de esquerda latino-americanos. "Se queremos mudar o mundo, temos que começar a mudar a gente e para mudar temos que nos descolonizar do fascismo, do racismo, do mercantilismo e do luxo. Juntos", disse. Morales lembrou a colonização da América Latina pelos europeus e disse ainda que é preciso avançar nas políticas voltadas para os segmentos "historicamente abandonados" e que os países latino-americanos precisam também descolonizar a Europa da "anarquia do mercado de capital". "Teremos que descolonizá-los, será outra tarefa que nós teremos", disse. Evo disse que os partidos de esquerda têm a responsabilidade de defender o que chamou de "processos de libertação" na Venezuela, na Nicarágua, na Argentina, no Brasil, no Uruguai, no Equador e na Bolívia. Ele também falou da necessidade de enfrentamento da corrupção e que ele mesmo, inicialmente, não queria fazer política, pois a política era vista como uma atividade de traficantes e pessoas corruptas. "Nossos povos estão cansados de abuso de poder e de autoridade. A política não pode ser para quem a trata como negócio ou em seu [próprio] beneficio. A política é a ciência de servir aos nossos povos", disse Morales. Morales criticou o sistema capitalista e as políticas neoliberais e falou sobre a situação da Bolívia antes de sua chegada à Presidência. "Tivemos que recuperar os nossos recursos naturais que estavam nas mãos de poucos e retorná-los para o povo. Antes [de nacionalizar os recursos] a gente tinha que pegar empréstimo no Banco Mundial. Depois da nacionalização não foi mais preciso", disse. "Não é possível que nos países da América Latina quem governe sejam os banqueiros e empresários", completou.

Edição EDIÇÃO 16968




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