O objetivo do encontro de ministros é a preparação para a cúpula de chefes de Estado e governo do G20, que ocorrerá em novembro em Cannes, na França
Os ministros de Finanças do G20 - grupo que reúne as principais economias industrializadas e os países emergentes - e os representantes dos Bancos Centrais começam ontem em Paris uma reunião de dois dias sobre a crise da dívida na zona do euro, com foco na Cúpula do grupo que acontece no início de novembro. O objetivo do encontro é a preparação para a cúpula de chefes de Estado e governo do G20, que ocorrerá em novembro em Cannes, na França, onde os líderes das maiores economias do mundo discutirão alternativas para a crise. O encontro ministerial precede a visita do presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, a Paris. Barroso se reunirá com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, para preparar a cúpula do G20 e o decisivo Conselho Europeu da próxima semana. MINISTRO Em declarações à emissora de rádio "Europe 1" ontem, o ministro francês de Finanças, François Baroin, defendeu que é preciso acabar com a situação atual porque "é uma loucura" que exista o risco de que um Estado quebre por uma questão de confiança nos mercados. Ele assinalou que para regular esta situação e para dar estabilidade é preciso "um plano global e durável", o que inclui o fundo europeu de salvamento, a recapitalização dos bancos, uma solução à dívida grega e a reforma da governança da zona do euro. Baroin disse que hoje fará uma proposta aos outros ministros do G20 para a adoção de "um conjunto de princípios comuns" para a defesa do consumidor em relação aos produtos financeiros. ESCLARECIMENTO Para Baroin, as ofertas terão que ser mais claras, com uma informação compreensível para o cliente, e terá que ser levada em conta "a assimetria de informações" entre vendedores e consumidores para evitar abusos e conflitos de interesses. O ministro disse que será imperativo aplicar as regras da concorrência para que os produtos possam ser comparados com os de outras entidades. Baroin, que preside a reunião do G20, afirmou que a confiança é a base para estabelecer o crescimento econômico. O ministro lembrou também que as condições de comercialização dos créditos "subprime" nos Estados Unidos estiveram na origem da crise financeira atual por serem "abusivas" e "inadequadas" para os consumidores. PROGRESSOS O secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), Angel Gurría, afirmou que desde o início da crise foram feitos "progressos significativos" na proteção dos consumidores na atividade financeira. Mas "os bancos continuam no centro do problema", considerou Gurría para justificar os trabalhos do G20.