MUNDO
Quinta-feira, 25 de Novembro de 2010, 19h:58
A
A
CONFRONTO COREANO
Ministro da Defesa sul-coreano renuncia
Criticado pela oposição, Kim Tae-young deixou o cargo. Como represália, Seul enviou tropas a ilhas no mar Amarelo
Após ser alvo de críticas por não ter colocado em prática "respostas mais contundentes" à Coreia do Norte, o ministro da Defesa sul-coreano, Kim Tae-young, apresentou sua renúncia ao cargo, enquanto Seul decidiu enviar tropas a cinco ilhas do Mar Amarelo, Pyongyang rejeitou cooperação com a ONU (Organização das Nações Unidas) e a China condenou os exercícios militares conjuntos entre Coreia do Sul e Estados Unidos. A demissão já foi aceita pelo presidente sul-coreano Lee Myung-bak, informou a agência estatal Yonhap. A renúncia chega dois dias depois do ataque norte-coreano à ilha Yeonpyeong, situada numa região disputada pelas duas Coreias, que matou dois civis e dois militares sul-coreanos. O governo já havia recebido duras críticas da oposição, que pediu a saída de Kim e demandou respostas "mais contundentes" frente às ameaças de Pyongyang. Membros do próprio partido de Lee e parlamentares da oposição acusaram o governo de ser demasiado fraco e responder tarde demais. "Por que nós disparamos apenas 80 morteiros quando o Norte disparou 170?", perguntou Sim Dae-Pyeong, presidente do opositor Partido do Povo. Os legisladores também questionaram Kim sobre a aparente falta de informações da inteligência sobre o ataque. Mais cedo nesta quinta-feira o jornal "Joongang Daily" informou que, de acordo com uma "fonte governamental bem informada", o líder norte-coreano Kim Jong-il e seu filho sucessor Kim Jong-un visitaram a base de artilharia de onde foram feitos os disparos contra a ilha sul-coreana na terça-feira. A Coreia do Norte rejeitou ainda a oferta de diálogo feita pelo Comando das Nações Unidas na península, liderado pelos EUA e encarregado de supervisionar o armistício com o qual foi finalizada a Guerra da Coreia (1950-53). O Comando propusera na quarta-feira que Pyongyang realizasse uma reunião militar em nível de generais para abordar a atual situação de tensão entre as Coreias. Pyongyang rejeitou a proposta por considerar que "aparentemente não vê benefícios práticos nas conversas", informou um porta-voz do Ministério da Defesa da Coreia do Sul citado pela agência sul-coreana Yonhap. O regime comunista ameaçou a possibilidade de novos ataques. "A RPDC [República Democrática Popular da Coreia], que se preocupa muito com a paz e a estabilidade na península coreana, está dando provas de um autocontrole sobrehumano, mas as peças de artilharia do Exército da RPDC, que defendem a Justiça, continuam prontas para disparar", afirma um comunicado de Pyongyang. MAIS TROPAS - Ainda respondendo às críticas de parlamentares da oposição e de sua própria base aliada, o governo sul-coreano enviou tropas a cinco ilhas o Mar Amarelo, incluindo a que foi alvo de disparos de Pyongyang, e anunciou que deve alterar as regras militares de seu Exército. Tradicionalmente as tropas sul-coreanas recebem instruções de resguardar as fronteiras mas tentar evitar a escalada de tensão no caso de provocações do Norte, buscando evitar a retomada dos confrontos encerrados em 1953. No entanto, após o recente ataque, o governo sinaliza que pode repensar o papel muito "passivo" frente ao vizinho. "O governo sul-coreano decidiu aumentar suas forças, incluindo tropas em terra, em cinco ilhas do Mar Amarelo" ao noroeste da Coreia do Sul, declarou Hong Sang-Pyo, um alto funcionário da Presidência, após uma reunião de emergência convocada pelo presidente sul-coreano Lee Myung-bak, que sofreu críticas ainda na quarta-feira pela demora em responder aos ataques do Norte. CHINA - Após o anúncio dos exercícios militares conjuntos entre Coreia do Sul e EUA - que devem ser realizados neste domingo - e respondendo às pressões de Washington e Seul para que se exercesse pressão sobre a aliada Coreia do Norte, a China se pronunciou ontem contrária à realização das manobras e pediu contenção às Coreias. A China rejeita "qualquer provocação militar", declarou nesta quinta-feira o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em uma visita a Moscou.