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MUNDO
Terça-feira, 16 de Junho de 2009, 20h:30

IRÃ

Manifestantes rivais vão às ruas após dia de violência

As ruas da capital Teerã foram ocupadas ontem por duas manifestações rivais em meio à crise política criada pela eleição presidencial de 12 de junho que reelegeu Mahmoud Ahmadinejad sob acusações da oposição de fraude eleitoral. No quarto dia consecutivo de protestos oposicionistas, milhares de manifestantes ignoraram o apelo do candidato reformista derrotado e líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, e foram às ruas com cartazes com o dizer "cadê meu voto?" - uma pergunta quer a oposição levantou após o anúncio de que Ahmadinejad ganhou a eleição presidencial com cerca de 63% dos votos contra 34% de Mousavi, apesar das pesquisas de intenção de voto indicarem uma disputa acirrada. Segundo os jornalistas iranianos que acompanharam os eventos, várias pessoas desfilaram pacificamente pela avenida Valy-e Asr, principal via da cidade, em direção à praça de Vanak, no norte da capital. As testemunhas afirmam que, como na segunda-feira, quando o protesto reuniu cerca de um milhão, as filas se estendiam por vários quilômetros. Quase em silêncio, levantavam os braços e faziam o sinal da vitória, enquanto carregavam cartazes brancos com o nome do candidato reformista que denunciou fraude nas eleições da última sexta-feira. Através de um porta-voz, Mousavi pediu mais cedo que os partidários ficassem em casa e evitassem "confrontos planejados", após saber que governistas planejam uma manifestação para apenas uma hora antes. Mousavi afirmou ainda que o pedido era uma forma de tentar "proteger vidas" diante do relato da rádio estatal de que ao menos sete pessoas morreram e várias outras ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e milicianos do Basij, grupo ligado à Guarda Revolucionária. A manifestação, que não tinha sido autorizada, não pôde ser acompanhada pela imprensa internacional. O Ministério de Orientação e Guia Islâmica cancelou as permissões de todos os jornalistas estrangeiros para permanecer no país e advertiu que não podem cobrir eventos que não tenham uma autorização especial. No centro da capital, cerca de 10 mil governistas atenderam a convocação do poder islâmico e foram às ruas protestar em favor da reeleição de Ahmadinejad.

Edição EDIÇÃO 16962




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