MUNDO
Terça-feira, 23 de Junho de 2009, 20h:56
A
A
ELEIÇÃO IRANIANA
Líder supremo do Irã amplia prazo para as queixas
O líder supremo da Revolução iraniana, o aiatolá Ali Khamenei, aceitou a proposta do Conselho dos Guardiães de prorrogar em cinco dias o prazo para a apresentação de queixas relacionadas às eleições do último dia 12, informou a TV estatal. Segundo a emissora oficial, Khamenei informou ao Conselho que "aceita o pedido" feito pelo secretário dos Guardiães, o aiatolá Ahmad Janati. Janati fez o requerimento para que todos os candidatos possam apresentar suas objeções e para que não exista qualquer suspeita de ambiguidade" sobre o resultado das eleições, denunciadas como fraudulentas pela oposição. O Conselho de Guardiães, órgão encarregado de validar as eleições, tinha previsto anunciar amanhã o resultado da apuração feita em 10% das urnas das eleições presidenciais, embora já tenha descartado sua anulação. Os três candidatos derrotados denunciaram 646 supostas irregularidades a favor do vencedor, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, e solicitaram a repetição das votações. Os Guardiães, que dão a última palavra no processo eleitoral, admitiram em parte estas irregularidades, ao aceitarem, na segunda-feira, que em pelo menos 50 cidades do país, houve mais votos que pessoas registradas para votar. No entanto, já advertiu que nem a apuração, nem as irregularidades mudariam substancialmente o resultado eleitoral e que, em nenhum momento, considerou a repetição das eleições. "Se tivesse ocorrido uma grave ilegalidade nas eleições, o Conselho teria anulado os votos nas urnas, colégios, distritos ou cidades afetadas, como já fez em outras ocasiões em eleições parlamentares", disse o porta-voz do Conselho Ali Abbas Kadkhodaei. "Mas felizmente, não encontramos traços de fraude nestas eleições presidenciais. Não houve violações graves. Portanto não há possibilidade que de anulação", afirmou. O Ministério do Interior do Irã também rejeitou a anulação e desprezou as reivindicações do principal líder opositor, Mir Hussein Mousavi. Além disso, o ministério pediu novamente que ele aceite a derrota. Os resultados eleitorais dividiram o país e evidenciaram os conflitos dentro da cúpula de poder do Irã. Desde a divulgação dos resultados, o Irã é palco de protestos e de enfrentamentos que, até o momento, causaram a morte de pelo menos 20 pessoas, segundo números oficiais. As manifestações foram reprimidas duramente pelo regime, que recorreu à unidade de elite da Guarda Revolucionária para tirar a oposição das ruas e tentar silenciá-la.