MUNDO
Sexta-feira, 08 de Junho de 2012, 20h:38
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SÍRIA
Kofi Annan pede mais pressão sobre Assad
Os observadores da ONU mobilizados na Síria chegaram ontem ao local da matança, em Al Kubeir. Pelo menos dez pessoas morrem ontem em novas explosões
O ex-chefe da ONU Kofi Annan, autor do plano de paz para a Síria, pediu ontem que se aumente a pressão sobre o regime de Bashar al-Assad, em reunião inaugural com a secretária de Estado americana Hillary Clinton, dentro de uma série de encontros que está mantendo nos Estados Unidos. O enviado para a Síria das Nações Unidas e da Liga Árabe disse que está discutindo a maneira de aumentar a pressão sobre o governo e as partes a fim de que o plano de paz seja aplicado. Annan disse ainda que todos estão buscando uma solução, mas admitiu dúvidas sobre seu projeto, que pede um cessar-fogo e diálogo para acabar com mais de um ano de violência sob o regime sírio. "Alguns dizem que o plano estaria morto. O problema é o plano ou sua instrumentalização? Se for a colocação em prática, como voltar ao caminho correto? E se for o plano, que outras opções temos?", questionou Annan. "Estas perguntas são consideradas e estamos explorando como podemos trabalhar com outros governos da região e do mundo para alcançar nossos objetivos", concluiu ante os jornalistas. MATANÇA Os observadores da ONU mobilizados na Síria chegaram ontem ao local da matança, em Al Kubeir, onde ao menos 55 pessoas, entre elas crianças e mulheres, morreram nesta semana, informou à AFP um militante da província de Hama (centro). Na quinta-feira, o acesso ao local estava impedido aos observadores, que foram alvo de disparos. A matança de Al Kubeir, um povoado da região de Maarzaf (Hama), acontece menos de duas semanas depois da de Hula, perto de Homs (centro), que causou grande comoção internacional. "Os observadores foram primeiro ao povoado de Maarzaf, onde estão enterradas as vítimas, depois a Al Kubeir, para inspecionar os danos causados pelo bombardeio do exército", declarou o militante, Abdel Karim Al Hamui. A oposição e o OSDH (Observatório Sírio de Direitos Humanos) acusaram os "shabbihas", milícias ligadas ao regime, de terem cometido esta nova matança, mas o regime nega. MAIS MORTES Pelo menos dez pessoas morreram nesta sexta-feira na Síria, incluindo quatro membros das tropas do regime, em explosões em Idleb (noroeste) e perto da capital, informou o OSDH (Observatório Sírio de Direitos Humanos). Ao mesmo tempo, começaram a se formar manifestações contra o regime, como ocorre todas as sextas-feiras desde o início da revolta, em março de 2011. Cinco pessoas, das quais ao menos dois membros dos serviços de segurança, morreram na explosão de um carro-bomba diante de um posto policial em Idleb, segundo a ONG. Na província de Idleb, um civil morreu por disparos em um bloqueio em Kafar Nebbol. Além disso, dois membros das tropas oficiais morreram em uma explosão dirigida contra um ônibus militar perto de Kudsiya, nos subúrbios de Damasco. Em Homs (centro), o Exército tentava tomar o bairro rebelde de Jaldiye, após bombardeá-lo violentamente. O bairro, situado no norte da cidade e onde ainda estão entrincheirados os rebeldes, foi bombardeado de maneira intermitente desde a manhã com, "em média, cinco obuses por minuto". Na província de Deraa (sul), um veículo militar foi atacado em Kafar Shams, segundo a ONG, que não informou imediatamente um balanço. Na mesma região, em Basr el-Sham, um rebelde à frente de uma "brigada" de insurgentes morreu. Na localidade de Mahajja, um civil morreu por um tiro de um franco-atirador. Ao mesmo tempo, muitos sírios saíam às ruas para responder ao chamado dos militantes contrários ao regime, cujo slogan era: "revolucionários e comerciantes, lado a lado até a vitória", em uma aparente tentativa de convencer os empresários e a burguesia que ainda estão pouco mobilizados em Damasco e Aleppo (norte).