Ministro afirma que o Itamaraty possui planos de contingência para retirar brasileiros caso a autorização para a decolagem do avião de Benghazi seja negada
O embaixador líbio no Brasil foi chamado pelo Itamaraty para negociar a retirada de 123 brasileiros da cidade de Benghazi, o epicentro dos protestos antigoverno na Líbia. A informação foi dada ontem pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota. Mulheres e crianças devem sair do país primeiro. O objetivo da reunião, conduzida pelo secretário geral do Itamaraty, Rui Nogueira, foi pedir a cooperação das autoridades líbias para que um avião fretado pela construtora Queiroz Galvão seja autorizado a decolar do aeroporto de Benghazi em direção à capital Trípoli, levando os brasileiros. Como nem todos desejam sair do país, em um primeiro momento apenas mulheres e crianças sairão da Líbia. Patriota disse também que o Itamaraty possui planos de contingência para retirar brasileiros da Líbia caso a autorização para a decolagem do avião de Benghazi seja negada. Ele não revelou qual seria a estratégia. Além disso, outros 30 brasileiros estão em conversação com portugueses para sair de Benghazi. O Brasil vai discutir com o governo de Portugal uma ação conjunta. O chanceler condenou também a repressão a manifestantes. "O Brasil repudia atos de violência contra manifestantes desarmados e vemos com grande preocupação os desenvolvimentos na Líbia. Parece que alcançaram um padrão de violência absolutamente inaceitável", disse Patriota em entrevista coletiva em São Paulo. Na esteira das manifestações que derrubaram os ditadores da Tunísia e do Egito recentemente, os protestos chegaram à Líbia contra o líder Muammar Gaddafi, há mais de 40 anos no poder. Ontem, os protestos atingiram a capital Trípoli pela primeira vez e, segundo relatos de testemunhas, dezenas de pessoas morreram em confrontos com as forças de segurança. Questionado se o Brasil poderia dar asilo político ao líder Gaddafi, o ministro disse que "não há fundamento algum nesta notícia". Patriota acrescentou que a questão "não se coloca porque não houve uma solicitação formal do governo líbio". GADDAFI O ditador líbio, Muammar Gaddafi, conhecido por suas excentricidades, enfrentamentos com o Ocidente, caprichos sem fim e como o mais duradouro dos ditadores africanos, tem seu poder abalado pelos enfrentamentos armados vividos por seu país.