MUNDO
Sexta-feira, 02 de Julho de 2010, 20h:14
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NAVIO TURCO
Israel não pedirá desculpas por ataque
O anúncio foi feito em resposta direta às exigências do chanceler turco de que israelense se desculpe publicamente pelo ataque à "Frota da Liberdade"
Em entrevista à emissora de TV estatal israelense "Channel 1" ontem, o premiê Binyamin Netanyahu afirmou que o Estado hebreu não pedirá desculpas pelo ataque ao navio turco "Mavi Marmara", que matou nove ativistas humanitários que pretendiam levar ajuda à faixa de Gaza. "Israel não pode se desculpar porque seus soldados tiveram que se defender para evitar ser linchados por uma multidão", defendeu o premiê. O anúncio foi feito em resposta direta às exigências do chanceler turco, Ahmet Davutoglu, de que o governo israelense se desculpe publicamente pelo ataque à "Frota da Liberdade" para que as relações turco-israelenses sejam retomadas. O premiê deixou claro que ainda não há acordos para retomar as relações entre turcos e israelenses, mas confirmou a reunião entre um ministro de Israel e o chanceler turco. As declarações de Netanyahu chegam um dia após sua participação numa cerimônia na casa do embaixador americano em Jerusalém, em antecipação ao dia da independência dos EUA, celebrado no próximo domingo, e três dias antes de sua visita a Washington, adiada após o ataque à frota humanitária. Ainda no fim de maio o premiê deveria ter se encontrado com o presidente americano, Barack Obama, após uma visita ao Canadá, mas a reunião foi cancelada quando Netanyahu antecipou o retorno à Israel para gerenciar a crise internacional em decorrência do ataque do Exército israelense. Binyamin Netanyahu deve se encontrar com Obama na terça-feira (6), para discutir temas como as relações com a Turquia e as negociações de paz com os palestinos. A Turquia disse diretamente a Israel nesta semana em Bruxelas o que o Estado judeu precisa fazer para recuperar as relações bilaterais, abaladas pela morte de nove ativistas turcos numa ação militar israelense contra barcos que se dirigiam à faixa de Gaza, no fim de maio, disse o chanceler turco nesta quinta-feira. A Turquia, que já foi o principal aliado islâmico de Israel, tem dito que espera dos israelenses um pedido de desculpas, um pagamento de indenização e o aval a um inquérito da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre o incidente, envolvendo uma frota que levava ajuda humanitária aos 1,6 milhão de palestinos submetidos ao bloqueio econômico de Israel na faixa de Gaza. "Vamos continuar indo atrás dessa questão," disse o chanceler Ahmet Davutoglu, referindo-se às condições impostas pela Turquia, que pediu também pelo fim do embargo a Gaza. O chanceler se reuniu na quarta-feira com o ministro israelense de Comércio e Indústria, Binyamin Ben Eliezer, em segredo. O encontro foi incentivado por Obama e causou irritação ao chanceler israelense Avigdor Lieberman.