MUNDO
Quinta-feira, 17 de Julho de 2014, 19h:44
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GAZA
Israel inicia invasão por terra
O Exército de Israel iniciou, ontem, uma incursão por terra em Gaza. O ataque acontece por ordem do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu e do Ministério da Defesa. Segundo um comunicado do gabinete do premiê, o objetivo da invasão é destruir túneis usados pelo Hamas para entrar no território israelense. Pelo túnel, militantes teriam tentado entrar em Israel ontem. A invasão começa após dez dias de ataques remotos, por céu, mar e terra, e duas tentativas de cessar-fogo recusadas pelo Hamas. "O Hamas quebrou o cessar-fogo humanitário da ONU, continuando a atacar Israel. A Operação Margem Protetora continuará até atingir seus objetivos: restabelecer a calma e a segurança dos cidadãos israelenses", disse o gabinete. Três morteiros lançados a partir de Gaza atingiram ontem o sul de Israel, durante a breve trégua humanitária que ficaria em vigor até as 15h (9h de Brasília), anunciou o Exército israelense. "Enquanto o Exército não dispara, três obuses de morteiro procedentes de Gaza foram lançados contra o distrito municipal de Eshkol", informaram os militares. Os três foguetes caíram no Conselho Regional de Eshkol, mas não causaram vítimas. Israel havia se antecipado na quarta e afirmado que "se o Hamas, ou qualquer outra organização terrorista, aproveitarem esta janela humanitária para realizar ataques contra civis israelenses e alvos militares, o Exército responderá com firmeza e de forma contundente". Israel e o grupo islamita palestino Hamas, que controla a faixa de Gaza, haviam se comprometido a um cessar-fogo humanitário com duração de cinco horas a pedido da ONU. O cessar-fogo começou às 10h locais (4h de Brasília) e deveria durar por cerca de cinco horas, com o objetivo de permitir a retirada dos feridos mais graves de Gaza e o abastecimento de bens essenciais ao território palestino. Antes do início do cessar-fogo, a aviação israelense continuou na manhã de ontem com os bombardeios contra diferentes alvos na faixa de Gaza, que causaram a morte de cinco palestinos, entre eles um idoso. Ao mesmo tempo, milicianos em Gaza disparavam vários foguetes contra povoações israelenses próximas das fronteiras com Gaza no centro do país. Desde que Israel iniciou a ofensiva Margem Protetora em Gaza, no último dia 8, foram 230 mortos e 1.685 feridos, segundo fontes palestinas. CESSAR-FOGO Israel e o Hamas alcançaram um acordo para um cessar-fogo em Gaza a partir de hoje às 6h (0h de Brasília), informou uma fonte israelense que pediu anonimato, segundo diversos veículos. No entanto, um membro do gabinete de segurança do governo de Israel disse ao jornal local "Haaretz" que o gabinete não havia aprovou o acordo. Um funcionário israelense confirmou à agência de notícias Reuters que altos representantes israelenses das negociações no Cairo tinham aceitado uma proposta para um cessar-fogo abrangente, mas os líderes de Israel ainda tinham que aprová-la. Segundo a fonte, o gabinete de segurança do premiê israelense Binyamin Netanyahu ainda não tinha deliberado sobre a trégua. O "Haaretz" diz ainda que líderes do Hamas e da Jihad Islâmica afirmam que houve progresso nas negociações, mas um cessar-fogo não foi acertado. No Cairo, as autoridades egípcias, que atuam como mediadoras, também não confirmaram até o momento a conclusão de um acordo. A delegação de Israel partiu do Cairo ontem. CRIANÇAS MORTAS A trégua foi solicitada pelo enviado especial da ONU para o Oriente Médio, Robert Serry, por causa da morte de quatro meninos palestinos na quarta-feira em uma praia de Gaza por um bombardeio da Marinha israelense. O presidente israelense, Shimon Peres, disse à BBC que as mortes das crianças não foram intencionais. "Estamos muito tristes em ver quatro crianças mortas", afirmou. "Eu acho que a Força Aérea tem o máximo de cuidado para não atingir crianças", disse Peres.