MUNDO
Terça-feira, 20 de Agosto de 2013, 20h:10
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EGITO SANGRENTO
Irmandade Muçulmana nomeia novo líder espiritual
RENATA GIRALDI
Da Agência Brasil Brasília
Após a prisão do principal líder da Irmandade Muçulmana, o movimento nomeou ontem Mahmud Ezat como novo guia espiritual da organização. Mohamed Badia foi detido por militares, no Cairo, capital egípcia, após uma série de confrontos entre manifestantes e policiais na cidade. O presidente deposto Mohamed Mursi é apoiado pelo braço político da Irmandade Muçulmana. Badia foi preso em um apartamento, perto da Praça Rabaa Al Adawiya, onde simpatizantes de Mursi entraram em confronto com policiais. Na operação de detenção participaram unidades especiais das forças de segurança, além da polícia, que ocuparam a zona e impediram o acesso ao prédio. Em três dias, cerca de 750 pessoas morreram em confrontos no Egito, incluindo um dos filhos de Mohamed Badia, que foi atingido por tiro na cabeça, disparado pela polícia e morreu. A comunidade internacional, incluindo o Brasil, condena a onda de violência no Egito e cobra o fim do impasse envolvendo militares e manifestantes. De acordo com as normas internas da Irmandade Muçulmana, em caso de ausência, doença ou em qualquer emergência, o número dois da organização substitui o líder. Foi o caso da nomeação de Ezat. Ontem (19) a Irmandade Muçulmana denunciou a detenção de pelo menos 400 dirigentes durante o fim de semana e acusou as autoridades de terem torturado até a morte 36 detidos. CONDENA Os EUA criticaram ontem a detenção do líder supremo da Irmandade Muçulmana, Mohammed Badie. A Casa Branca disse que a prisão vai contra os compromissos assumidos pelos militares de promover "um processo político inclusivo", e a considerou uma violação dos direitos humanos. "Esta prisão não está alinhada com os padrões que esperamos que outros governos defendam em termos de respeito aos direitos humanos", disse o porta-voz da Casa Branca Josh Earnest. A prisão de Badie era desejada desde julho, após o golpe que depôs o presidente islamita Mohammed Mursi. O líder islamita e dois de seus subalternos da Irmandade foram acusados pela Justiça de "incitação à morte" por supostamente estimular a violência contra manifestantes anti-Mursi. O início de seu julgamento estava marcado para o dia 25. Também ontem, foi anunciada nova acusação contra Mohammed Mursi, que terá detenção estendida por mais 15 dias. Acusado de homicídio e de ligação com o Hamas, ele responderá agora por cumplicidade na violência contra as manifestações. A Procuradoria Geral egípcia pediu ainda a prisão preventiva de 360 membros da Irmandade, também por suposta incitação à violência. Nos últimos dois dias, pararam as postagens nas redes sociais desses líderes, frequentes nos dias de protestos da semana passada.