O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse ontem, conforme a agência de notícias oficial Irna, que os protestos ocorridos no país domingo são "um roteiro escrito por sionistas e americanos". "É um espetáculo que dá ânsia de vômito, porém tanto os que o planejaram,como os que participaram se enganam." Em seu discurso durante ato em Teerã, Ahmadinejad rejeitou as críticas feitas pelo presidente dos Unidos, Barack Obama, e pelo governo britânico sobre a repressão dos protestos. "Nós lhes aconselhamos várias vezes, mas parece que insistem em seu fracasso. Estamos convencidos de que vão experimentar um fracasso maior do que o de seus antecessores", ressaltou, segundo a Irna. "O povo iraniano os obrigará a voltar atrás e fará com que, perante a história, [a atitude dos ocidentais] seja um escândalo", disse. Esta foi a primeira vez em que Ahmadinejad falou sobre os protestos, considerados os mais violentos desde junho passado, quando os oposicionistas tentavam impedir a reeleição dele, cujo pleito foi cercado de denúncias de fraude. Nos distúrbios de domingo, morreram pelo menos oito pessoas - segundo dados oficiais - e cerca de 300 foram presas, incluindo dez importantes ativistas da oposição reformista do país. O Irã intensificou ontem a prisão de opositores, mas introduziu uma distinção entre os "contrarrevolucionários" e a oposição reformadora, marcando uma ruptura no discurso do regime.