O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, rejeitou ontem o prazo dado pelo Ocidente - até o final deste ano - para que seu governo decida sobre a guarda de material nuclear do país. Se o Irã não responder à proposta dentro do prazo, Washington deixou claro que pretende recorrer à ONU para adotar novas sanções contra a República Islâmica. Pela proposta das potências, Teerã aceitaria levar seu estoque de urânio baixamente enriquecido para a França e a Rússia, e em troca receberia combustível para alimentar um reator de pesquisas médicas. "Quem são eles para nos impor um prazo", disse Ahmadinejad em discurso na cidade de Shiraz, transmitido pela TV. "Nós é que lhes impomos um prazo, que se eles não corrigirem sua atitude e seu comportamento... vamos exigir deles os direitos históricos da nação iraniana", acrescentou, sem entrar em detalhes. O Irã, quinto maior produtor de petróleo do mundo, diz que sua atividade nuclear se destina exclusivamente para a geração de energia elétrica com fins pacíficos. O Ocidente, no entanto, suspeita que o país queira desenvolver armas nucleares. O urânio, dependendo do grau em que é enriquecido (purificado), pode ser usado como combustível de reatores civis ou como material para armas nucleares. O acordo sobre o combustível nuclear foi redigido pela ONU a fim de aplacar as preocupações internacionais com o programa atômico do Irã.