MUNDO
Quarta-feira, 21 de Julho de 2010, 20h:21
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VICE-PREMIÊ
Invasão do Iraque foi "ilegal"
Falando pela primeira vez no lugar do primeiro-ministro britânico, o vice-premiê do Reino Unido, Nick Clegg, descreveu a invasão do Iraque em 2003 como "ilegal", colocando sua coalizão de governo em uma saia justa. Clegg respondia a perguntas dos parlamentares na seção "Prime Minister's Questions" no lugar do premiê David Cameron, que visita os EUA. O Reino Unido é governado por uma coalizão entre o Partido Conservador, de Cameron, e o Partido Liberal-Democrata, liderado por Clegg. Cameron, como a maioria dos conservadores, apoiou a participação do Reino Unido na invasão do Iraque, comandada pelos EUA. A decisão foi tomada durante o governo antecessor trabalhista. Questionada ontem em entrevista coletiva se a ideia de invasão "ilegal" do Iraque era a também a política do governo ou uma visão endossada por Cameron, a porta-voz do governo saiu pela tangente. "O vice-primeiro-ministro tem direito a ter seu próprio ponto de vista". Ela não soube informar qual seria a exata posição da coalizão sobre o tema. "Não acredito que o governo de coalizão tenha uma visão específica sobre a legalidade da guerra do Iraque." Mais tarde, Clegg esclareceu ter reiterado sua opinião "de longa data", segundo a rede britânica BBC. Um inquérito liderado pelo ex-alto funcionário britânico John Chilcot está investigando a guerra do Iraque, mas o objetivo é aprender lições do conflito e não decidir sobre sua legalidade. O Reino Unido retirou seus soldados do Iraque, mas tem 9.500 homens no Afeganistão. Uma crescente taxa de mortes no local tem aumentado a preocupação pública sobre a campanha. A declaração de Clegg vem no momento em que uma pesquisa da YouGov para o jornal "The Sun" mostrou que o apoio a seu partido caiu para 14%, o menor nível desde fevereiro de 2009. O partido tinha 34% de apoio antes das eleições de maio. A declaração de Clegg pretendia ser um insulto a Jack Straw, que era chanceler britânico durante a invasão. Straw questionou a falta de influência política do Partido Liberal-Democrata na coalizão, e questionou o fato de o partido agora apoiar políticas e decisões às quais, antes da coalizão com os conservadores, se opunha fortemente. "Estou satisfeito em prestar contas de tudo que estamos fazendo nesse governo de coalizão, um governo de coalizão que uniu dois partidos trabalhando pelo interesse nacional para resolver a confusão que ele deixou para trás", disse Clegg, em declaração irritada pouco usual.