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MUNDO
Segunda-feira, 08 de Setembro de 2008, 19h:50

FURACÃO

Ike volta ao mar e ganhar força

Após atingir a ilha de Cuba, o furacão Ike voltou ao mar e pode ganhar força enquanto o sistema estiver sobre a água, segundo informou o Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês). Ontem, por volta das 15h (no horário de Brasília), o olho do furacão estava a localizado a 130 quilômetros a oeste de Camaguey (Cuba) e 450 a quilômetros a leste-sudeste de Havana, enquanto se movia em direção oeste a uma velocidade de quase 22 km/h. O NHC informou que Ike pode passaria ainda ontem sobre a parte central de Cuba emergir no sudeste do Golfo do México na noite hoje. O furacão, de categoria 2, apresenta ventos máximos sustentados de aproximadamente 160 km/h, com rajadas mais fortes. O Centro Nacional de Furacões emitiu um alerta de tempestade tropical para a região das Florida Keys até Dry Tortugas, incluindo Florida Bay, e afirmou que as chuvas trazidas por Ike provavelmente vão provocar grandes inundações na costa sudeste dos EUA ao longo dos próximos dias. DESTRUIÇÃO As chuvas torrenciais de Ike já causaram cheias em rios e inundações em casas durante a noite no Haiti. A passagem da tormenta já matou pelo menos 61 pessoas no país. O fenômeno ameaçou no domingo o arquipélago de Flórida Keys (EUA), mas rumou para o sul e ainda na noite de ontem atingiu a província de Holguín, em Cuba. Pelo menos 900 mil cubanos foram levados para abrigos e os danos ainda não são conhecidos. O ex-presidente Fidel Castro alertou os cubanos em comunicado a buscarem abrigo e tomarem medidas de segurança. "Foi uma enorme retirada", disse Mirtha Pérez, uma moradora de Camaguey, de 65 anos, que aguardava com outras mil pessoas a passagem do furacão em uma escola. Mais de nove mil turistas europeus e canadenses foram retirados pelas autoridades dos hotéis no balneário de Varadero, ao leste de Havana. No Haiti, as inundações provocadas pelo furacão também derrubaram uma ponte que era a única via de acesso à cidade de Gonaives, seriamente afetada. Alguns habitantes foram obrigados a subir nos telhados das casas para sobreviver, pela segunda vez em uma semana. Os corpos de três haitianos foram encontrados em Gonaives no domingo, todos vítimas de tormentas anteriores. No total, quatro devastadores temporais em menos de um mês mataram ao menos 319 pessoas, no país mais pobre do hemisfério ocidental. Os habitantes de Gonaives, contudo, sofriam um pouco menos na manhã desta segunda-feira, quando a chuva parou e as águas começaram a baixar. Moradores que haviam fugido para as montanhas voltavam para suas casas cheias de barro e sujeira. "As pessoas começam a voltar porque não têm para onde ir", disse Eric Mouillefarine, do programa de desenvolvimento das Nações Unidas. "Querem proteger suas casas dos saqueadores." A região de Cabaret, ao norte da capital Porto Príncipe, foi a mais afetada no domingo pelo Ike e local da maioria das mortes. Um rio encheu, provocando inundações e derrubando casas, forçando as pessoas a abandonarem suas residências no meio da noite. Mais de 20 corpos estavam cobertos de barro na funerária Always, sem que ninguém fosse procurá-los. Dois eram de grávidas e uma delas abraçava uma menina. Também havia pelo menos um menino entre as vítimas. O diretor local da defesa civil, Henri Louis Praviel, disse que as autoridades buscavam outras 16 pessoas, a maioria crianças. As chuvas atingiram Cabaret durante quatro dias na semana passada, durante a passagem da tempestade tropical Hanna. A cidade ficou isolada de novo no domingo, quando as cheias derrubaram a ponte Mirebalais.

Edição EDIÇÃO 16962




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