Sem perspectiva de realizar o segundo turno das eleições presidenciais em 16 de janeiro como previsto, o Haiti mergulha ainda mais na crise política detonada pelo questionamento dos resultados da votação de novembro. Até agora sequer começou a recontagem dos votos do controvertido primeiro turno. A OEA (Organização dos Estados Americanos) cobra do governo René Préval que defina os parâmetros da missão de observação que acompanhará o trabalho. "O tempo está se esgotando", disse o secretário-adjunto da OEA, Albert Ramdin. A Comissão Provisória Eleitoral (CPE) adiou a publicação dos resultados previstos para 20 de dezembro. A avaliação, segundo a Folha apurou, é que, mesmo que o fizesse agora, seria impossível preparar logisticamente o segundo turno. Com a apertadíssima diferença entre o segundo colocado na corrida presidencial, o governista Jude Celestin, e o terceiro, o cantor oposicionista Michel Martelly, chegou-se a defender que três candidatos disputassem o segundo turno. A manobra era defendida pelo Brasil, que chefia o braço militar da Minustah, a missão da ONU no Haiti. Mas foi rejeitada pela CPE, dominada pelo governo. Por lei, Préval pode esticar seu mandato até maio se não houver desfecho. Analistas como Michel Soukar apostam que o presidente prefere o impasse a deixar o poder.